sábado, 30 de abril de 2011

REBIO de Pedra Talhada e Sua Nova Sede

Por Claudia Topan*


“As árvores pintadas com flores vermelhas avançam sobre o agreste. Mas, de repente uma estranha combinação aparece no caminho de encontro à cidade do mestre Graça. Entre as velhas olarias e os casebres de pau a pique plantados como a palma e o cacto na terra vermelha, ao fundo da Serra da Pedra Talhada, encontramos as primeiras antenas parabólicas nas casinhas pintadas de cores alegres.”

Graciliano Ramos

O renomado escritor alagoano Graciliano Ramos, de Quebrangulo, em uma de suas crônicas, revive o caminho para Palmeira dos Índios, cidade na qual chegou para morar aos dezoito anos e se consagrou ao ofício de captador dos sons, cores e cheiros da natureza do sertão nordestino. Com uma visão particular da natureza, oportuniza os leitores o encontro com essa natureza rústica do sertão, por ele pormenorizada.

Na crônica ele menciona uma serra, a Serra da Pedra Talhada. Ponto importante na região, que recebeu esse nome por causa das fissuras que o tempo, o vento e a chuva esculpiram na rocha. Hoje, essa área é conhecida por fazer parte da Reserva Biológica de Pedra Talhada, antes mesmo tinha sido um Parque Estadual.

A criação da Reserva Biológica (REBIO) Federal de Pedra Talhada foi decretada pelo então Presidente da República José Sarney, em treze de dezembro de 1989. Com uma área total de 4.469 ha (quatro mil, quatrocentos e sessenta e nove hectares) ela abrange os Municípios de Quebrangulo, em Alagoas, e Lagoa do Ouro, em Pernambuco. A criação da REBIO se deu com o objetivo de proteger amostras de dois ecossistemas muito significativos, devido a sua grande diversidade biológica; a Mata Atlântica e a Caatinga.

A Reserva é situada numa zona de transição destes biomas, com presença da Floresta Perenifólia Higrófila Costeira (Floresta Atlântica Úmida), Floresta Xerófila Caducifólia ou sub-Caducifólia e amostras de vegetação Xerófila Espinhosa e Caducifólia (Mata Branca). Segundo o orquidófilo Fernando Wuetterpfenning, é nesse santuário que podemos encontrar a rainha das orquídeas, a Cattleya labiata. Sendo essa flor encontrada em florestas de altitude, e muito bem adaptada as árvores centenárias existentes na Reserva.

Pode-se citar a parte faunística também encontrada em abundância; com representantes como o cervo brasileiro, o guandú, o coati, o tamanduá, a paca e o tatu. Existem ainda, entre os mamíferos, cinco espécies de felinos, lontras, raposas, alguns primatas e um grande número de roedores. Não esquecendo uma grande quantidade de répteis, que se adaptaram muito bem nas áreas de esconderijo e abrigos como cavernas e rochedos, próprios da geografia do local.

A Reserva Biológica de Pedra Talhada foi uma das unidades de conservação federais estudada em 2009, pelo trabalho de título “Unidades de Conservação Federais e Estaduais do Estado de Pernambuco: situação legal, infra estrutura e plano de manejo”. Com base nas respostas do questionário aplicado ao então gestor chefe da unidade, pode-se ter o real diagnóstico dessa reserva, com suas dificuldades e superações.

Para que uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral tipo Reserva Biológica possa efetivamente cumprir o seu papel, é necessário que haja a desapropriação da área. Esse já é um dos principais problemas não só da REBIO Serra Talhada, mas da grande maioria das Unidades de Conservação no Brasil.

Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) o Plano de Manejo é o documento técnico mediante o qual se cumpre os objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. No trabalho citado anteriormente, foi constatado que a REBIO de Pedra Talhada, até 2009, não tinha Plano de Manejo, não estava com a situação fundiária regularizada, não tinha uma zona de amortecimento, tinha problemas com ocupação clandestina e contava com apenas três funcionários para atender toda a UC.

O observado no estudo em questão foi que esses problemas fazem parte da grande maioria das UCs federais e estaduais do Estado de Pernambuco. Esta situação faz com que estas unidades de conservação não cumpram com o seu papel socioambiental.

Outras pesquisas apontam que 40% da mata foi derrubada em 25 anos, principalmente, pelas famílias que ainda residem na Reserva. Além de que, desde a criação da REBIO sempre houve um interesse muito grande pela exuberância da fauna e flora da região, por parte de caçadores e madeireiros.

Segundo Leslie Tavares, chefe da fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de Pernambuco: “A gente tem dois problemas graves, que é a falta de regularização fundiária e a falta de aparelhamento e recursos humanos da unidade, mas vamos dar continuidade às atividades que já vêm sendo executadas. Já foram fechadas doze madeireiras na região e isso diminuiu bastante a pressão econômica em cima da unidade. Essa área e outros fragmentos de mata em Pernambuco vão sofrer essa mesma ação, para que se diminua a pressão das empresas nessas áreas e manter periodicamente os fiscais em campo”.

A importância da REBIO de Pedra Talhada é evidente, não só por toda a beleza cênica do local, mas por objetivar a preservação integral da biota, recuperação dos ecossistemas alterados, com ações de manejo para recuperar e preservar a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais. Não se esquecendo das diversas nascentes no local, as quais abastecem grande parte dos municípios vizinhos à Reserva.

As sociedades alagoana e pernambucana devem estar atentas, junto à gestão da Reserva, para as iniciativas de revitalização dessa importante UC, que representa para as atuais e futuras gerações uma continuidade do abastecimento de água e a integração do homem ao meio ambiente aonde vive.

No dia 27 de maio de 2011, Dia da Mata Atlântica, ocorrerá a inauguração da nova sede da REBIO de Pedra Talhada. A Organização Não-Governamental Associação Nordesta – Reflorestamento & Educação da Suiça, construiu uma sede do lado pernambucano da Reserva, aonde funcionará também a Escola Bosque como os seguintes objetivos: gerar competências que possibilitem a inclusão das discussões ambientais no ensino formal/não formal e no processo de desenvolvimento sustentável (ecodesenvolvimento); elevar a qualidade de vida da comunidade através de projetos que integrem a prática ambiental aos programas de educação ambiental; promover estudos e pesquisas que viabilizem a recuperação e proteção dos ecossistemas com ênfase para a Mata Atlântica e Agreste; desenvolver programas de capacitação de recursos humanos direcionados para formação e atualização de professores, pesquisadores e técnicos; e estabelecer intercâmbio de informações com entidades afins.

Ainda, é um sonho transformar todas as escolas dos municípios do entorno (Chã Preta, Quebrangulo, Correntes e Lagoa do Ouro) em escolas vivas com a participação de toda comunidade escolar, como já dizia o poeta “Sonho que se sonha só é sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Vamos fazer parte desse sonho, através do esforço da sociedade civil, instituições acadêmicas, empresas públicas e privadas e do poder público em geral, para que a REBIO de Pedra Talhada seja uma UC efetiva e não se torne mais um “parque de papel”, como muitas UCs brasileiras.


Referências:

BRASIL. Lei no 9.985, de 18 de Julho de 2000. Regulamenta o Art. 225, § 1º, Incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2011.

BRASIL. Decreto nº 98.524, de 13 de dezembro de 1989. Cria a reserva Biológica de Pedra Talhada. Disponível em: Acesso em: 17 abr. 2011.

CASTRO, Beatriz. Pedra Talhada e suas orquídeas únicas pedem socorro e preservação. PE360 graus. GLOBO NORDESTE. Disponível em: . Acesso em: 18 abr. 2011.

CLAUDEMIR, José. Reserva ecológica de Pedra Talhada sofre com o desmatamento. Disponível em: Acesso em: 17 abr. 2011.

VIARURAL. Reserva Biológica da Pedra Talhada. Disponível em:

TOPAN, C. S. O. Unidades de Conservação Federais e Estaduais do Estado de Pernambuco: situação legal, infraestrutura e plano de manejo. Recife, 2009. (Trabalho de Conclusão de Curso), Curso de Pós-Gradução em Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, Universidade Estadual de Pernambuco – UPE – PE, 2009.

* Claudia Topan é bióloga com especialização em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pela Universidadde de Pernambuco

terça-feira, 26 de abril de 2011

“Código Florestal é porta de entrada para ruralistas destruírem mais leis”



por Vinícius Mansur*, do Brasil de Fato

Especialista analisa momento da luta em torno do Código Florestal, seu valor estratégico para os ruralistas e cobra posição do governo federal.


1251 300x287 “Código Florestal é porta de entrada para ruralistas destruírem mais leis”




Em junho de 2010, a Comissão Especial sobre Mudanças no Código Florestal aprovou o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Com as eleições batendo à porta, o governo segurou a votação do relatório pelo plenário da Câmara, temendo um desgaste eleitoral – especialmente pelo fator Marina Silva (PV). A então candidata Dilma Rousseff assumiu o compromisso de vetar qualquer mudança que autorizasse novos desmatamentos.


Passada as eleições, a bancada ruralista tensionou a disputa, aprovou um pedido de urgência e tentou, até a última sessão de 2010, colocar o relatório em votação. Apesar de fracassarem, o debate acerca do Código impactou fortemente as articulações para a presidência da Câmara. O atual presidente da casa Marco Maia (PT-RS), ganhou apoio da forte bancada ruralista prometendo a votação até fevereiro. O difícil consenso dentro do governo e sua base, especialmente entre os ministérios de Meio Ambiente e Agricultura, travaram o avanço da pauta e, como alternativa, Maia criou, em março, uma Câmara de Negociação que, até então, pouco caminhou.


No dia 5 de abril, entidades do lobby ruralista, infelizes com a demora nos bastidores, financiaram um evento milionário em Brasília, trazendo milhares de pessoas para defender o relatório de Rebelo. Tentaram demonstrar força ao Palácio do Planalto e dar um verniz popular ao projeto. No dia 7 de abril, outra mobilização, esta em oposição ao projeto, convocada por movimentos do campo e ambientalistas, ocupou a Esplanada. Para avaliar o estágio atual da disputa em torno do Código, o Brasil de Fato entrevistou o mestre em Agroecologia pela UFSC e dirigente do MST, Luis Zarref.


Brasil de Fato – O que esperar dessa Câmara de Negociação?


Luiz Zarref – A Câmara de Negociação não é regimental, nunca tinha acontecido em nenhuma outra votação da Câmara. Inicialmente tinha uma conjuntura boa, com quatro ruralistas e quatro ambientalistas. Hoje são seis de cada lado e mais dois representantes da liderança do governo e dois da minoria. No início, a Câmara ficou cerca de um mês e meio sem fazer nada. Com a pressão nessas últimas semanas, o governo se movimentou mais e o espaço começou a funcionar. Mas, ainda não se tem claro qual é o papel dessa Câmara. Foram três reuniões e todas só serviram para deliberar sobre o recebimento de notas técnicas. Não se sabe se a Câmara servirá só para listar os pontos divergentes ou se serão feitas emendas ao relatório do Aldo Rebelo.


O evento milionário organizado pelos ruralistas fez a balançadas negociações pender para o lado deles?


O tiro saiu pela culatra. Eles queriam trazer essa mobilização e garantir a votação, só que não contavam com a morte do[ex-vice-presidente] José Alencar, que atrasou a pauta em uma semana. Também não contavam que o PT ficaria firme. O Paulo Teixeira [líder do PT na Câmara] disse que o PT não fechará acordo enquanto a proposta do governo não chegar. Já o Marco Maia disse que o texto só entra em votação quando a Câmara de Negociação terminar os trabalhos. Entretanto, mesmo que não tenham alcançado o impacto esperado, o peso que eles jogaram nesta mobilização, a maior que eles já fizeram, demonstra o interesse deles nessa pauta.


O que explica tamanho interesse?


Na nossa leitura, o Código é a porta de entrada para os ruralistas iniciarem a destruição das leis agrárias e ambientais, aquilo que lá em 2009 a Abag [Associação Brasileira do Agronegócio] definiu como prioridade: rever todas as leis do setor para garantir “segurança jurídica”. Na realidade, a segurança jurídica significa limpar toda a sujeira que fizeram até agora, passar uma borracha no desmatamento, no uso irregular de agrotóxicos e de transgênicos, entre outras. Além de permitir o avanço da propriedade privada e do lucro dos ruralistas. O Código Florestal tem um apelo muito grande na sociedade urbana. Se eles o destroem, dão uma sinalização de poder muito grande. As outras pautas, que não estão na sociedade, seriam derrubadas com muito mais facilidade. Quem é que vai defender o Estatuto da Terra, a Política Nacional de Meio Ambiente, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a Lei de Águas, ou Código de Águas, sobre recursos hídricos? Está em jogo uma demarcação na guerra de posição muito importante para eles, porque o Código é uma lei que historicamente eles tentam destruir e ainda não conseguiram.


O Código Florestal lhe parece uma legislação adequada?


Ele já é fruto de uma avaliação de algo que não deu certo, o Código de 1934. Ele surge em 1965 e, apesar de aprovado no primeiro ano da ditadura, foi concebido em um ambiente progressista. Uma sociedade que não discutia meio ambiente sem discutir questão agrária. E ele é discutido em cima de uma disputa mundial entre socialismo e capitalismo. Então, havia uma tendência de se discutir a função social da propriedade. O Código criou a figura da Reserva Legal (RL), que não existia em lugar nenhum do mundo e que recentemente criaram no Paraguai. Com a RL, uma parcela da propriedade privada tem que ser destinada ao interesse público. O primeiro artigo do Código Florestal diz que “as florestas são bem de interesse comum da sociedade brasileira”. Ou seja, estão acima dos interesses privados. Poderíamos ter adotado o ambientalismo conservador, que foi adotado depois da década de 70 pela ditadura, que era o modelo dos EUA, do parque Yellowstone. Ou seja, tirar a área da propriedade privada, isolá-la dos seres humanos e pronto. Porém, nosso Código traz para dentro da propriedade privada uma imposição da sociedade brasileira: uma parcela daquela propriedade deve ser utilizada sustentavelmente. Ele já colocava o conceito sustentável, um discurso bem avançado para época.


De que maneira as mudanças propostas por Aldo Rebelo prejudicam a agricultura de menor porte e beneficiam o agronegócio?


O agronegócio artificializa o meio ambiente. Ele mexe com a terra toda, usa o pacote da revolução verde, degrada e depois de 10 anos vai embora para outra região. Não é à toa que agora estamos vendo a expansão da fronteira agrícola no Maranhão, Piauí e Tocantins, um pouco da Bahia também. Destruíram as terras do Sul, destruíram as terras na região Centro-Oeste e na fronteira com a Amazônia e agora estão indo para esta outra área que se estima ter 30 a 40 milhões de hectares. O agronegócio tem essa relação ecossistêmica de destruição. A agricultura camponesa não. Se você tira a RL dessas propriedades, diminui-se a Área de Preservação Permanente (APP), se você não trabalha com a recuperação dessas áreas, no médio prazo, esses agricultores terão suas terras inviabilizadas. A RL é interessante naquele microclima, naquele microespaço, porque ela impacta na polinização de várias culturas, impacta sobre predadores naturais, então veremos um aumento dos índices de pragas, ela impacta na adubação da terra, impacta no fornecimento de água, muda o clima daquele espaço, impacta no agricultor que terá que comprar madeira para qualquer coisa que queira fazer.


O relatório do Aldo não aponta para o centro da questão: o problema não é a lei, mas a falta de regulamentação e implementação por parte do Estado brasileiro. Se você for ao campo, verá que os agricultores têm o seu pedaço de floresta. Dali ele tira as plantas medicinais, as ferramentas, os palanques para os galpões, ele gosta de ver aquilo. O que ele não gosta é da polícia ambiental ir fazer repressão. Faltam recursos para o agricultor recuperar as áreas que ele tem de passivo. E mesmo que o projeto do Aldo libere propriedades com menos de quatro módulos fiscais das RLs, as APPs terão que ser recuperadas. De onde que ele vai tirar esse dinheiro? Não tem nada no relatório prevendo isso.


E o que explica a adesão de entidades da agricultura familiar a este projeto?


A Contag está indo para o discurso imediato, reacionário, que só leva ao fracasso da agricultura familiar, um desserviço histórico. Para a agricultura familiar, a solução é de longo prazo. Porque é quem tem relação com a terra. Para o agronegócio há solução imediata, porque daqui a dez anos, eles fazem um tratoraço e vem limpar as lambanças deles de novo. A agricultura familiar não, mesmo que se mude a lei, as terras vão ficar inviabilizadas. A Contag renegou o debate político com a sua base. Preferiu se submeter a pressão do imediatismo. Há também uma disputa interna na Contag, entre as federações que tem ligação com PT e CUT e federações que tem ligação com o PCdoB e CTB. Então, muito provavelmente houve uma ingerência do PCdoB dentro da Contag para pressioná-los. O pior é que nem emendas ao relatório fizeram, basicamente aderiram, sem enfrentamentos com o agronegócio.


Reforçaram a polarização benéfica aos ruralistas dos produtores versus ambientalistas?


Isso. Essa posição deles é funcional ao agronegócio. Diferente da década de 80 e 90, nessa primeira década do século XXI há a hegemonia do agronegócio, que conseguiu passar por propaganda que é ele quem produz para o Brasil. E nessa disputa do Código, eles usaram dessa imagem para dizer que quem quer as mudanças são os verdadeiros produtores, quem não quer são os ambientalistas, que ganham muito bem e não tem nada a ver com quem produz no campo. E a mídia comprou muito isso. Porque os movimentos sociais como a Fetraf, o MST, o MPA, a Via Campesina e outros vêm discutindo o tema, mas suas posições não ganham a mesma reverberação. Não aparece que os pequenos agricultores estão de um lado e os grandes de outro, que nós somos produtores e temos uma posição diferente. Somente produtores versus ambientalistas.


Quais os próximos passos dessa luta?


Intensificar o debate na sociedade e pressionar o governo para tirar uma posição que altere a correlação de forças. O indicativo do presidente da Câmara é que a votação vá para maio, depois de finalizado os trabalhos da Câmara de Negociação. Mas dificilmente haverá votação sem indicação clara do governo.


*De Brasília (DF).


**Publicado originalmente no site do Brasil de Fato.


(Brasil de Fato)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Embrapa para Crianças


Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) tem uma página dedicada para as crianças aprenderem sobre a natureza.

O site tem grande apelo visual e conta com atividades informativas como uma seção de curiosidades, jogos, livros infantis, glossário para tirar dúvida dos termos e até um blog.

A navegação do site é bastante simples e é feito para as crianças passarem o tempo brincando e conhecendo mais o meio ambiente.

Acesse aqui

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mangues, Campeões de Absorção de Carbono

OPINIÃO DO BLOG:  

ATRAVÉS DA LEI Nº 14.891, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2012, ASSINADA PELO GOVERNADO EDUARDO CAMPOS E APROVADA NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, PREVÊ-SE UM MEGA DESMATAMENTO DE MANGUES NO ESTADO DE PERNAMBUCO, PARA IMPLANTAÇÃO DO PORTO DE SUAPE, DE APROXIMADAMENTE 412 HECTERES DE MANGUEZAL. 

O ARTIGO QUE SEGUE LOGO ABAIXO DA LEI, COPIADA EM PARTE AQUI, FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DESSE ECOSSISTEMA NO APRISIONAMENTO DE CARBONO DA ATMOSFERA E A EMISSÃO A PARTIR DO DESMATAMENTO.

QUE TAL FAZERMOS ALGUMAS CONTAS E REVER A POLÍTICA DE COMBATE ÀS MUDANÇAS CLIMATICAS ELABORADO PELO ATUAL GOVERNO DE PERNAMBUCO?

ACORDA POVO!

--------------------- X ---------------------

LEI Nº 14.891, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2012
Altera a Lei nº 14.046, de 30 de abril de 2010, e alterações, que autoriza a supressão de vegetação de preservação permanente nas áreas que especifica, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO:

Faço saber que a Assembleia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O artigo 1º da Lei nº 14.046, de 30 de abril de 2010, e alterações, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 1º Fica autorizada a supressão da vegetação de preservação permanente nas seguintes áreas, de acordo com o inciso I do § 1º do artigo 8º da Lei nº 11.206, de 31 de março de 1995, em função da necessidade de consolidação do processo de urbanização das Zonas Industriais (ZI), Industrial Portuária (ZIP) e Central de Serviços (ZCS), declaradas de utilidade pública pelo Decreto Federal nº 82.899, de 19 de dezembro de 1978, pelo Decreto nº 2845, de 27 de junho de 1973, pelo Decreto nº 4433, de 18 de fevereiro de 1977, e pelo Decreto nº 4928, de 24 de fevereiro de 1978, conforme previsto em Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) de Suape e do empreendimento denominado contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho:

I - área de 6,6472 ha de mata atlântica;
II - área de 411,9260 ha de mangue;
III - área de 158,3303 ha de restinga; e
IV - área de 109,7004 ha de vegetação não nativa/antropizada em área de preservação permanente.”

-------------------------- X ----------------------

 

 
 Suape, Pernambuco. Foto: Clemente Coelho Junior


Taxa é quatro vezes maior que floresta tropical

Uma pesquisa do Serviço Florestal dos EUA (em duas de suas estações), da Universidade de Hensilque e do Centro Internacional de Pesquisa Floestal, examinou o conteúdo de carbono de 25 florestas de mangues na região do Indo-Pacífico. Eles descobriram que um hectare de mangue armazena quatro vezes mais carbono que um hectare de qualquer floresta do mundo.
"Os mangues já eram conhecidos como ecossistemas extremamente produtivos, e que tem um ciclo rápido de carbono, mas até o momento não havia estimativa de quanto carbono reside nestes sistemas. Isto é uma informação essencial, porque quando ocorre uma mudança no uso da terra, grande parte deste estoque de carbono pode ser liberado na atmosfera", disse Daniel Donato, doutor em ecologia e pesquisador na Estação de Pesquisa do Sudoeste do Pacífico, em Hilo, Havaí.
A capacidade da floresta de mangue de armanazenar quantidades tão grandes de carbono é atribuída, em parte, à riqueza orgânica do solo onde ela se desenvolve. O complexo sistema de raízes do mangue, que ancora as plantas em sedimento sob a água, retarda a água que chega com as marés, permitindo que materiais orgânicos e não orgânicos se fixem no sedimento de superfície. Condições de baixo oxigênio reduzem as taxas de decomposição, o que resulta na acumulação no solo de grande parte do carbono. Na verdade, os mangues têm mais carbono em seus solos que na maioria das florestas tropicais, com toda sua biomassa e solo combinados.
Este alto armazenamento de carbono sugere que os mangues podem ter um importante papel na administração da mudança do clima. "Quando fizemos a conta, ficamos surpresos em descobrir quanto carbono pode ser liberado com a eliminação de mangues", afirma Donato. Isto, de acordo com ele, coloca os mangues como fortes candidatos de programas destinados a mitigar a mudança do clima com a redução de taxas de desflorestamento. Recentemente, os mangues sofreram um rápido desflorestamento - um declínio de 30 a 50% nos últimos 50 anos. O desflorestamento de mangues gera emissões de gases estufa de 0.02-0.112 petagramas (uma petagrama é um trilhão de quilos) de carbono por ano, o que equivale a 10% das emissões de carbono do desflorestamento global, segundo os pesquisadores, informa a Science Dayle

Fonte: Science Daily, Planeta Sustentável Abril