quinta-feira, 30 de junho de 2011

Peixe-leão deve chegar ao Brasil em breve

Foz do Rio Amazonas seria o único obstáculo, onde o fluxo de água doce e sedimentos mar adentro formam uma barreira natural ao trânsito de espécies

25 de junho de 2011
Estadão.com.br
Herton Escobar

O Brasil que se prepare. O peixe-leão já chegou à Colômbia, à Venezuela, e, segundo especialistas, não deve demorar muito para invadir também a costa brasileira. Talvez já em 2012. "Dada a velocidade com que ele se espalhou pelo Caribe, é possível que chegue ao Brasil em questão de meses", alerta Mark Hixon, pesquisador da Oregon State University, nos Estados Unidos.

O único fator ambiental que parece limitar a distribuição geográfica do peixe-leão no Atlântico é a temperatura da água, com uma tolerância que vai até 11 graus Celsius. Nesse caso, não há nada que impeça sua proliferação pela costa brasileira, do Amapá até o Rio Grande do Sul, já que as águas nacionais estão todas acima dessa temperatura. "Acreditamos que a distribuição final se estenderá até a costa da Argentina", afirma Jim Morris, especialista em espécies invasoras da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), também dos Estados Unidos.

A única possível lombada no caminho da invasão total seria a foz do Rio Amazonas, onde o fluxo de água doce e sedimentos mar adentro formam uma barreira natural ao trânsito de espécies entre o Caribe e o Atlântico Sul. Hixon e Morris acreditam que o peixe-leão conseguirá transpô-la sem maiores dificuldades, considerando que a espécie já foi vista em ambientes de água salobra, como mangues e estuários. Resultados preliminares de uma pesquisa em andamento, porém, lançam uma dúvida positiva sobre isso.

Segundo a pesquisadora Elizabeth Sbrocco, da Universidade de Boston, que realiza o estudo sob a orientação do professor Paul Barber, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, há indícios de que a distribuição do peixe-leão seja limitada também pela salinidade da água, e não apenas pela temperatura. Nesse caso, diz ela, o estuário do Amazonas poderia ser, sim, uma barreira eficiente contra o avanço do peixe-leão, associado ao fato de que as correntes oceânicas presentes acima da foz fluem para o norte, dificultando o transporte de larvas para o sul do país.

Os resultados da pesquisa deverão ser submetidos para publicação no mês que vem (julho), como parte do projeto de doutorado de Elizabeth.

Segundo os pesquisadores, o Brasil não tem como evitar a chegada do peixe-leão. Mas pode minimizar os impactos da invasão se já estiver preparado para lidar com o problema quando ele chegar. A melhor defesa, segundo eles, é a manutenção de ecossistemas saudáveis, com abundância de espécies nativas que possam competir com o peixe-leão ou até se alimentar dele, impedindo que a espécie domine completamente o ambiente marinho. Considerando que o Brasil tem, naturalmente, uma biodiversidade marinha muito menor do que a do Caribe, o impacto ecológico do peixe-leão nos ecossistemas brasileiros poderá ser ainda mais grave, comparativamente, caso a espécie se torne abundante em águas nacionais.

"Temos de esperar para ver o que vai acontecer", resume Jim Morris.

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