domingo, 31 de julho de 2011

Estudo mostra que áreas de proteção ambiental podem levar 185 anos para evitar perda de biodiversidade

Renato Grandelle (renato.grandelle@oglobo.com.br)
Plantão 29/07/2011

RIO - As áreas de proteção ambiental do mundo são pequenas, desconectadas e sujeitas a ameaças como mudanças climáticas e espécies invasoras. Não recebem os investimentos adequados e, se crescerem no ritmo atual, demorarão 185 anos para atingirem o tamanho recomendável. O diagnóstico é de um estudo da Universidade do Havaí, publicado na última quinta-feira pela revista "Marine Ecology Progress Series". Os autores da pesquisa são pessimistas: embora, nos últimos 30 anos, o número de locais resguardados contra a ocupação humana tenha aumentado significativamente, é provável que eles jamais atinjam o porte necessário para evitar a perda de biodiversidade.

Hoje, as cerca de 100 mil áreas protegidas no planeta ocupam 17 milhões de quilômetros quadrados de terra (o equivalente a 5,5% das regiões continentais) e 2 milhões de quilômetros quadrados de oceano (0,08%). Uma meta aceita mundialmente estipula que este índice deveria chegar a 30% - abaixo disso, a conservação dos ecossistemas corre perigo. Mas o colombiano Camilo Mora, coautor do estudo da Universidade do Havaí, reconhece que o percentual está fora de cogitação.

- Nem mesmo 10% seria uma meta realista - avalia. - Há uma pressão muito grande sobre a biodiversidade, causada pelo crescimento da população humana e sua demanda crescente por alimentação e moradia. Esta exploração pode levar à extinção de muitas espécies ainda antes de 2050.

Também daqui a menos de quatro décadas, o uso predatório de recursos naturais acenderá definitivamente o sinal vermelho do planeta. A conta de Mora é simples: hoje, cada habitante do planeta precisa de, em média, 2,1 hectares para satisfazer suas necessidades de alimento, energia, moradia, entre outros. Como somos quase 7 bilhões, a conta ultrapassa os 14 bilhões de hectares - 3 bilhões a mais do que a área da Terra.

- Já exigimos mais do que o planeta pode dar - alerta. - Considerando o crescimento da população e de sua demanda, em 2050 precisaremos de um mundo 27 vezes maior do que o nosso.

Com tantas necessidades para suprir - e muitos enfrentando carência de espaço -, os governos não investem nas áreas protegidas como deveriam. Hoje, as verbas destinadas anualmente a elas são estimadas em US$ 6 bilhões. Para que sejam administradas efetivamente, sua receita deveria ser quatro vezes maior, segundo estudos citados por Mora.

Atacadas por todos os lados e pouco prestigiadas em orçamentos públicos, as zonas ambientais não têm o tamanho minimamente necessário para cumprir o seu objetivo - proteger a biodiversidade. E, quando o faz, é de forma incompleta.

Das reservas em terra, 30% têm menos de um quilômetro quadrado. São pequenas demais para as espécies maiores. E, na maioria das vezes, estas áreas são isoladas uma das outras. Não há, portanto, uma bem-vinda troca de populações entre elas.

Tudo bem que, mesmo pequenas, estas regiões estão protegidas do desmatamento - e suas espécies, da perda de habitat. No entanto, outros estresses ainda rondam os ecossistemas, como a poluição (decorrente de sua proximidade com centros urbanos), espécies invasoras e mudanças climáticas. Por isso, mesmo animais e plantas que se refugiam ali podem esperar baixas em sua população.

- Vinte por cento dos corais estão em áreas protegidas, mas menos de 1% está verdadeiramente a salvo da exposição ao homem - ressalta Mora. - Os conflitos entre a proteção da biodiversidade e o desenvolvimento humano são uma constante, e este sempre receberá mais atenção. É recomendável que os governos mudem sua estratégia. Precisamos gastar mais tempo e esforço pensando em uma solução para a superpopulação e seu consumo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/07/29/estudo-mostra-que-areas-de-protecao-ambiental-podem-levar-185-anos-para-evitar-perda-de-biodiversidade-925003911.asp#ixzz1TgB8X1OD

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sábado, 16 de julho de 2011

Ciência sob encomenda baseou alterações no Código Florestal

Por Evanildo da Silveira - Assessoria de Imprensa da SBPC

A reforma do Código Florestal aprovada pela Câmara dos Deputados utilizou como inspiração e base científica apenas um estudo, com conclusões duvidosas e erradas e ainda não devidamente publicado. A afirmação foi feita pelo agrônomo Antonio Donato Nobre, em sua conferência Novas Geotecnologias no Ordenamento Territorial, dada nesta sexta-feira, durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada durante esta semana em Goiânia e que acaba hoje. Ele se refere a um trabalho de 2008, de Evaristo de Miranda, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, que afirma que apenas 29% das terras agricultáveis do Brasil estão disponíveis para as lavouras.


Para Nobre, o que Miranda fez foi ciência "a soldo, sob encomenda". Apesar disso e das inconsistências das conclusões dele, elas "foram avidamente apropriadas por poderosos interesses políticos e econômicos". "Na esteira dessa apropriação, e substanciado pelo julgamento de valor emitido pelo estudo, formou-se ampla frente política para alteração do Código Florestal", criticou Nobre, que é pesquisador dos institutos nacionais de pesquisas Espaciais (Inpe) e da Amazônia (Inpa). "O estudo, em essência, estimulou a percepção das forças políticas sobre uma [falsa] realidade de que não existiriam terras disponíveis para expansão da atividade agrícola."


Em suas críticas, ele não está falando por falar. Nobre se baseia num estudo próprio que realizou, intitulado Zonas ripárias e o código florestal - Usando Geotecnologias na definição de APPs, que deverá ser publicado em breve. Para isso ele mapeou 308.200 quilômetros quadrados, subdivididas em áreas menores nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Nobre empregou nesse trabalho uma nova tecnologia chamada de hidrografia de alta resolução, que usa imagens de diferentes tipos de radares e modelagem matemática para produzir mapas em 3D. Depois, ele usou as determinações para as matas ciliares (ripárias) do código florestal vigente, do substitutivo do deputado Aldo Rebelo, aprovado na Câmara, e os dados de Miranda e comparou os três.


Os resultados mostraram, que se forem obedecidas as normas do atual código florestal, as matas ciliares protegidas ocupam apenas 6,87% das terras do Brasil. Pela proposta aprovada na Câmara, esse índice é de somente 4,72%, enquanto no estudo de Miranda chegam 21,26%. "APP (área de proteção permanente) ripária computada emulando método de Miranda é 309% super-estimada em relação à APP utilizando hidrografia em alta resolução", revelou. "Não se justifica portanto dizer que o código florestal vigente protege áreas ripárias demais. Se Miranda inflacionou as APPs ripárias desta forma, como confiar em seus outros números?"


As críticas de Nobre ao trabalho do pesquisador da Embrapa não param aí. De acordo com ele, o estudo de Miranda passou uma noção não-quantitativa [e também falsa] de que as APPs estariam genericamente tomadas por atividades agrícolas altamente produtivas. "Como até hoje a evolução do substitutivo Aldo Rebelo não contou com um aporte qualificado e sério de ciência, essas falsas premissas científicas ainda instruem o processo legislativo", disse.

Nobre fez mais que um estudo próprio. Ele realizou uma avaliação científica do estudo de Miranda semelhante àquela, feita por pares, a qual são submetidos todos os trabalhos científicos antes da sua publicação. Por esse critério, trata-se, segundo Nobre, "de um estudo pioneiro em abrangência, aparentemente extenso e complexo, mas com aspectos críticos da metodologia inexplicavelmente omitidos, o que tem dificultado ou impedido a reprodução independente das análises feitas".


Além disso, para Nobre, é um trabalho pretensamente científico, "mas que saiu diretamente do laboratório para a imprensa e para os círculos de lobby político". "Dois anos e meio anos depois de seu anúncio, o estudo ainda não foi publicado em revista científica com corpo editorial na sua área de concentração (geociências)", lembrou. "Apesar das graves limitações metodológicas, admitidas em parte no próprio estudo, as conclusões são apresentadas com julgamento de valor e engajamento ideológico, contrariando as melhores práticas científicas de neutralidade objetiva."


Para piorar a situação, Nobre diz que os parlamentares são impermeáveis às informações corretas e à boa ciência. "A SBPC e ABC (Academia Brasileira de Ciência) apresentaram uma revisão criteriosa de centenas de estudos científicos publicados, mas o Congresso ainda os ignora", reclamou. "Enquanto isso, o estudo de Miranda, esse tipo de factóide científico, gerado pela informação incompleta, inacurada e pelas generalizações temerárias feitas, foi amplamente utilizado para justificar várias alterações propostas no Código Florestal."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Novo Código Florestal

Caros seguidores do Blog Caos e Cloorofila,

No site senado, tem um infográfico comparando o atual Código Florestal com o novo código, aprovado recentemente na Câmara dos Deputados.
Vale a pena dar uma passada e ficar atento nas discussôes e começar a pressionar os senadores para que não aprovem o atual texto. Um crime! Boa leitura e tenham suas próprias conclusões.

Link:

http://www12.senado.gov.br/codigoflorestal/infograficos/principais-diferencas-entre-a-legislacao-atual-e-o-texto-aprovado-na-camara