quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Investimento em serviços ecossistêmicos é vital para garantir segurança alimentar

http://www.pnuma.org.br/comunicados_detalhar.php?id_comunicados=154

22 de agosto de 2011

Nairóbi / Estocolmo - Reconhecer ecossistemas saudáveis ​​como base para a sustentabilidade dos recursos hídricos e a segurança alimentar pode ajudar a produzir maior quantidade de alimentos por unidade de terra agrícola, aumentar a resiliência à mudança do clima e proporcionar benefícios econômicos para comunidades pobres, de acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e do Instituto Internacional de Manejo da Água (IWMI, na sigla em inglês), elaborado em parceria com 19 outras organizações.

O relatório, lançado durante a Semana Mundial da Água, em Estocolmo, defende que a gestão e o investimento nas conexões entre ecossistemas, água e alimentos, por meio da diversificação de culturas, do plantio de árvores em terrenos agrícolas e da melhoria na captação de águas pluviais e outras medidas práticas, poderiam ajudar a evitar a escassez de água e atender à demanda por alimentos da população mundial, que deve chegar a 9 bilhões em 2050.

A publicação, intitulada “ An Ecosystems Approach to Water and Food Security” (Uma abordagem ecossistêmica para a água e a segurança alimentar) afirma que os ​​políticos responsáveis devem considerar áreas agrícolas e de pesca como "agroecossistemas", por serem fontes de alimentos, bem como por executarem serviços ecossistêmicos diversos, tais como a purificação da água e controle de inundação.

Quedas nesses serviços ecossistêmicos reguladores — o que leva a problemas como a perda de nutrientes do solo ou maior vulnerabilidade a doenças — afetam também a produtividade agrícola.

Um dos principais desafios para impulsionar os níveis atuais de produção de alimentos é a disponibilidade de água, necessária para a pecuária, irrigação, piscicultura e outros usos agrícolas. Os níveis de água subterrânea, por exemplo, estão declinando rapidamente em vários celeiros e regiões de plantação de arroz como nas planícies do norte da China, em Punjab (Índia) e oeste dos Estados Unidos.

O estudo recomenda mudanças em três áreas específicas para melhorar a segurança alimentar e reduzir as tensões na distribuição de água: proteção ambiental, manejo de recursos hídricos e produção alimentar.

Em muitas partes do mundo, o aumento da produção de alimentos através de métodos de agricultura intensiva acontece à custa de outros serviços ecossistêmicos, como da biodiversidade, da polinização ou da proteção do solo contra a erosão.

O documento mostra como uma abordagem baseada em ecossistemas para a agricultura pode restaurar esse equilíbrio e resultar em um uso mais eficiente da água, uma redução de 5-10 milhões de hectares de terras agrícolas que são perdidos a cada ano para a degradação, menores perdas por pragas na produção e maiores benefícios para as comunidades pobres dependentes de terras, rios, florestas e outros ecossistemas para sua alimentação e sustento.

Recomendações

Terras áridas oferecem suporte a um terço da população mundial, abrigando até 44% dos sistemas de cultivo do mundo e cerca de 50% do gado do mundo. A escassez da água e a degradação da terra são as limitações mais importantes para a produção de alimentos nessas áreas.

A desertificação também representa um grave problema ambiental. O relatório cita oportunidades existentes para aumentar a produtividade dos agroecossistemas nas terras secas, como por exemplo, criação de corredores para a movimentação do gado — o que pode reduzir o sobrepastoreio e a degradação do solo causados pelo confinamento de animais em pequenas áreas —, e o cultivo de plantas nativas, que se adaptam mais facilmente à seca.

Zonas úmidas, tais como lagos, rios e mangues, são suporte de múltiplos serviços ecossistemicos de alto valor, os quais são vitais para a agricultura, como o armazenamento de água e controle de qualidade da água, purificação e retenção de nutrientes.

No entanto, a agricultura é a principal causa de perda de zonas úmidas em todo o mundo devido ao uso de água e conversão da terra. Na Ásia, por exemplo, mais de um terço dos habitats de manguezais foram perdidos desde a década de 1980 como resultado do desmatamento e das fazendas de camarão e peixe.

Serviços agroecossistêmicos também podem ajudar a aumentar os padrões de vida e renda. A Amazônia peruana, por exemplo, é o lar de comunidades indígenas que dependem dos serviços de ecossistemas florestais para subsistência. Recentemente, grupos de conservação têm trabalhado com a população local para desenvolver recursos agrícolas e econômicos.

Por meio de um melhor manejo dos ecossistemas, cerca de 600 famílias viram suas rendas aumentarem, principalmente a partir de fazendas de peixes e agroflorestas mais produtivas. O aumento da produção de alimentos resultou de planos de conservação que foram desenvolvidos por 16 comunidades da floresta.

Em suas recomendações a órgãos governamentais e tomadores de decisão, o novo relatório afirma que uma colaboração mais estreita entre as autoridades na agricultura, meio ambiente, silvicultura, pesca e outros setores é essencial para que os ecossistemas sejam colocados no centro dos esforços de segurança alimentar. Isso pode também incluir incentivos econômicos — como pagar agricultores para plantar ou manter árvores em suas terras — para reforçar os serviços do ecossistema e sua contribuição a longo prazo à água e à segurança alimentar.

Notas aos Editores

Para baixar o relatório da UNEP-IWMI, visite: www.unep.org ou www.iwmi.org/ecossistemas

Para mais informações, favor contatar:

Centro de notícias do PNUMA:

Tel: +254 20 7623088

E-mail: unepnewsdesk@unep.org

IWMI Comunicações:

Tel: +94 773 369 533

E-mail j.clarke@cgiar.org

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