sexta-feira, 2 de setembro de 2011

De gaiato no navio

Edição Impressa - Agosto 2011
Revista FAPESP
As embarcações que atravessam os oceanos transportando passageiros e produtos também levam, sem intenção, uma carga nociva ao ambiente que as torna os principais vetores das invasões biológicas. Incrustados no casco ou presos na água dos porões dos navios, caranguejos, corais, mexilhões, águas-vivas e camarões são levados de seus ecossistemas originais para ambientes estranhos, onde podem causar a extinção das espécies locais e alterar o funcionamento ecológico da região. Eder Carvalho da Silva e Francisco Barros, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, compilaram os dados de trabalhos produzidos nas últimas três décadas no Brasil sobre a presença de organismos aquáticos invasores. Eles identificaram um total de 41 espécies exóticas (34 marinhas e 7 de água doce) apenas de bentos, animais que vivem próximo ao fundo de rios e mares. A maioria delas é proveniente do continente asiático. Há espécies invasoras em 24 estados brasileiros (Oecologia Australis, junho de 2011). Uns poucos estados, no entanto, concentram a maior parte delas. São justamente aqueles que abrigam os principais portos do país. Em São Paulo e no Rio de Janeiro já foram encontradas, respectivamente, 22 e 23 espécies exóticas. As espécies com mais ampla distribuição no Brasil são o molusco Melanoides tuberculatus e o siri Charybdis hellerii. Quatro das espécies de água doce estão no Mato Grosso.


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Veja no mapa do Brasil o número de espécies introduzidas em cada estado (fonte: Eder Carvalho da Silva e Francisco Barros).

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