terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lista de animais ameaçados de extinção no Brasil pode ser maior, diz MMA

Sauim-de-coleira deve integrar a lista de planos de ação que o Ministério do Meio Ambiente deve lançar até o final deste ano. De acordo com o MMA, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas pode ser maior


O Brasil possui 627 espécies da fauna com risco de extinção. Cerca de 60% estão em territórios protegidos e aproximadamente 75% das áreas federais de conservação abrigam estas populações, a maioria delas na região amazônica.

Até o final deste ano, o Ministério do Meio Ambiente espera concluir 35% dos planos de ação para as espécies mais ameaçadas. A ministra Izabella Teixeira estima que até 2014, o MMA pretende concluir os planos de ação para todas as espécies ameaçadas.

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, contudo, pode ser maior. A atualização está sendo debatida em reunião que acontece desde início da semana por técnicos do ICMBio. Os técnicos estão avaliando a situação de 1.414 espécies brasileiras. A lista mais atualizada é de 2003.

“Até dezembro devemos chegar próximo de 2.500 espécies avaliadas, com a previsão de atingir, até 2014, a meta de 10 mil espécies previstas”, afirmou a técnica da Coordenação de Avalização do Estado de Conservação da Biodiversidade (Coabio/ICMBio) Rosana Subirá.

A divulgação da lista definitiva deve acontecer apenas em 2012, mas há possibilidade de algumas correções da atual lista ser divulgada antecipadamente, segundo a assessoria de imprensa do ICMBio.

Sauim

Segundo o Atlas de Animais em Extinção em Unidades de Conservação do governo federal lançado este ano, os animais da fauna amazonense mais ameaçados são a onça pintada, o peixe-boi e algumas espécies de primata.

O sauim-de-coleira também faz parte da lista. Atualmente, o ICMBio desenvolve um plano de ação para salvar esta espécie de primata da extinção que existe apenas no ecossistema na região do município de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara.

O coordenador do centro nacional de pesquisa e conservação de primatas brasileiro do ICMBio, Leandro Jerusalinsky, disse ao portal acritica.com, que espera que o Plano de Ação para salvar o sauim-de-coleira já deve entrar nesta lista anunciada pela ministra.

Na próxima semana, um sumário executivo apresentando o extrato do plano de ação já será divulgado ao público.

Segundo Leandro, uma das fases é buscar financiamento privado para ajudar na execução do plano, cujos valores são orçados em R$ 8,5 milhões.

Gestão

Para cientistas e pesquisadores, até o momento, o número de espécies desconhecidas é maior que o de já identificadas. Estima-se que o território nacional abrigue cerca de 210 mil espécies, sendo 134 mil de animais e 49 mil de plantas.

A gestão adequada de espécies inclui o uso sustentável dos componentes da biodiversidade, o acesso do público às áreas de preservação e um amplo processo de participação científica, além de mais pesquisas.

Izabella acrescentou que existe uma nova agenda de conservação para 2020, e que o Brasil deve trabalhar com toda a sociedade e instituições de pesquisa para oferecer uma nova visão de proteção da biodiversidade, de acordo com as orientações das Metas de Aichi, estabelecidas em Nagoya (Japão) durante a última Conferência da Diversidade Biológica (CDB).

Durante o colóquio, os participantes também debateram os modelos jurídicos e a Política Nacional de Conservação da Biodiversidade, além da relação entre economia e diversidade biológica.

Patrimônio

O Brasil é responsável pela gestão do maior patrimônio genético do mundo, sendo considerado o País mais rico em biodiversidade do planeta.

Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, a cada ano são descritas cerca de mil novas espécies no País.Talvez possamos gastar cerca de mil anos para descrever toda a nossa diversidade biológica, avalia.

Ele afirmou ainda que a estratégia nacional de biodiversidade está em fase de atualização, e que há a intenção de se estabelecer um fórum brasileiro voltado para o tema.

No entanto, Dias alerta que, de acordo com o terceiro relatório do estudo Panorama Global da Biodiversidade, nunca houve tanta perda da diversidade biológica no mundo como nos últimos 50 anos.

Com informações são da assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente e do ICMBio.

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