quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Manifestação sobre a chamada da matéria "A maré está para o Porto"

O título da mensagem poderia sugerir mais uma manifestações sobre o impacto da ampliação do Porto de Suape, ou sobre dados técnicos e científicos sobre o fenômeno das marés. Mas é diferente desta vez, ficamos indignados com a leitura da chamada da matéria “A maré está para o Porto” (copiada logo abaixo), publicada no Caderno de Tecnologia do Jornal do Commercio de Pernambuco, no dia 02/11/2011, ao comparar a situação econômica do passado, de baixo investimento e precária, com o ecossistema manguezal, numa alusão a situação em que se encontrava o setor tecnológico de Pernambuco.

“O setor de tecnologia de Pernambuco teve que se unir. Do contrário, teria sido muito difícil sair do manguezal em que a economia local se encontrava há dez anos. E um dos principais nós desta corda de caranguejos é o Porto Digital.” - http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/tecnologia/noticia/2011/11/02/a-mare-esta-para-o-porto-20895.php

Essa indignação se faz necessária, pois os jornalistas Mona Lisa Dourado, Jacques Waller e Renato Mota, desconhecedores da importância desse ecossistema costeiro, fazem menção de forma preconceituosa e ignorante, comparando a má fase da economia com o ecossistema. O fato é que o manguezal é considerado um dos ecossistemas mais produtivos do mundo e responsável por alavancar 80% da economia pesqueiro no nordeste. É considerado ainda, pela ONU, um dos ecossistemas responsáveis pela manutenção da biodiversidade marinha, impulsionando também a economia do turismo. Sem falar na sua importância na segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e pescadores. Fonte inesgotável de proteína animal.

Há tantos outros serviços prestados por esse ecossistema, como a proteção da linha de costa (contra a erosão), filtro biológico, indicador de mudanças climáticas, manutenção do micro-clima, proteção dos aqüíferos, dentre outros, com implicações econômicas e sociais (ecológicas também), que gastaria tantas (ou mais) linhas que foram redigidas pelos jornalistas mencionadas acima. Mas para isso existem pesquisadores e educadores, como também jornalistas comprometidos, inclusive dentro do corpo editorial desse importante jornal, que redigem diversas matérias destacando a importância do manguezal na nossa sociedade (assim como suas ameaças), num trabalho de formiguinha, buscando a transformação da consciência ambiental.

No mundo do politicamente correto, é necessário o comprometimento com a linguagem, a responsabilidade no uso das palavras para não incorrer em equívocos que colocam em risco todo um trabalho educativo em torno da preservação e conservação dos nossos ecossistemas. É preciso evitar o uso de palavras de forma pejorativa, sem antes conhecê-las. Por trás do nome manguezal, existe uma forte corrente cultural, educacional e ambiental, atrelada ao conceito supremo do que é de fato este ecossistema. Portanto, é necessário que os jornalistas responsáveis pela dita matéria, revejam seus conceitos e conhecimentos sobre o Ecossistema Manguezal, para que equívocos como este não sejam mais repetidos. Nossa Língua Portuguesa é vasta em adjetivos que poderiam ser utilizados com mais propriedade e criatividade.

Sinceramente,

Prof. Dr. Clemente Coelho Junior, professor universitário e ambientalista

Dra Gisela Monteiro, advogada

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