terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Falta fiscalização em 57% das reservas

Publicado em 09/07/08 - Meio Ambiente / UOL

Com base em dados do Instituto Chico Mendes, o ministro Carlos Minc admitiu que o problema de pessoal atinge 173 das 299 unidades de conservação federais, agravando o desmatamento nestas áreas

BRASÍLIA – O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem que 57% das reservas verdes do País não têm fiscais para impedir o desmatamento. Segundo levantamento do Instituto Chico Mendes, o problema atinge 173 das 299 unidades de conservação federais espalhadas pelo Brasil, a maioria na Floresta Amazônica.

Para o ministro, que anunciou um pacote de medidas para reverter a situação, a falta de servidores é a principal causa do avanço da devastação nas áreas protegidas. Na sua edição de domingo, o jornal O Globo informou que 22,3% do desmatamento no ano passado aconteceu em reservas ambientais ou indígenas. O apagão ambiental também deixa 82 áreas sem gestor e 96% das reservas extrativistas sem plano de manejo.

Sem dar detalhes, Minc afirmou que vai desembarcar na Amazônia nas próximas semanas para acompanhar “operações pesadas” da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele confirmou que o levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre a devastação em maio está retido há duas semanas na Casa Civil, mas disse que houve redução nos índices.

Entre as medidas para conter o problema, o ministro prometeu criar 82 cargos comissionados para zerar, até o fim do mês, o número de reservas sem gestores. Ele também anunciou a abertura de dois cursos para formar 180 novos fiscais até o fim do ano.

Minc disse ainda que pretende incentivar a expansão do ecoturismo nos parques nacionais, já que 90% dos visitantes estariam concentrados nas florestas da Tijuca (RJ) e de Foz do Iguaçu (PR).

Após comentar a falta de planos de manejo para ordenar o uso das reservas extrativistas, o ministro fez críticas à lentidão do governo para garantir a proteção das áreas criadas nos últimos anos. “Das 55 reservas, só duas têm plano de manejo. É um número inexpressivo”, disse.

Ao ser lembrado de que as críticas atingiam a gestão de Marina Silva (PT), que chefiou a pasta nos últimos cinco anos, o ministro mudou de tom e defendeu o legado da antecessora: “A ministra Marina fez o desmatamento cair por três anos consecutivos. Eu a considero a melhor ministra do Meio Ambiente no Brasil e na América Latina. Ela se sacrificou para que o meio ambiente voltasse a ter um peso mais forte”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário