segunda-feira, 21 de maio de 2012

Manguezais urbanos - a visão da ciência


EXPOIDEA 2012, Recife, PE

A história do Recife passa pela ocupação das margens dos rios e riachos que cortam a planície costeira. Manguezais e restingas deram lugar para o tecido urbano, e os corpos d’água se tornaram receptores dos efluentes da cidade.

Da vegetação original sobraram alguns remanescentes dos mangues, outrora floresta que alimentava a pesca local e protegia a navegação. Mas o tempo passou, e as características dos corpos d’água estuarinos, de água escura, às vezes esverdeada pelas marés altas, deu lugar para águas quase negras, pobres em vida e fétidas, tanto são os dejetos lançados por uma cidade pouco saneada. Talvez fruto da ignorância da beleza cênica da paisagem: verde dos mangues e da lâmina d’água iluminada.

A cidade cresceu, e nota-se a valorização das margens dos rios. Da lama produtiva, berçário da vida, para a arborização natural, quase intocada como no Parque dos Manguezais, antigo Parque Rádio Pina. Paisagem de verde contínuo, que corta o tecido urbano ao longo dos principais rios.
Se a Ciência de Josué de Castro valorizou sua produtividade, os cientistas de hoje destacam os manguezais como prestadores de serviços para a cidade, com o custo da transformação da matéria orgânica em excesso, em folhas, galhos, troncos, raízes e frutos. Filtro biológico presente no estuário. Melhor com eles, pior sem eles: os mangues.

E ainda há aqueles que destacam sua importância na manutenção natural da drenagem urbana e atenuador do efeito erosivo do mar bravio, que luta em derrubar as construções em terras antes marinhas.

Mas a vida abunda. Nos bancos de lama e baixios, aves pousam para alimentação em sua rota migratória setentrional, e caranguejos insistem em driblar o lixo para construir suas tocas e resgatar o homem caranguejo: ainda presente nas pequenas vilas desordenadas, palafíticas, insalubres. Segurança alimentar ou risco a saúde? A ciência busca a resposta.

Clemente Coelho Junior é Biólogo, mestre e doutor em Oceanografia Biológica pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de Pernambuco. Professor Adjunto do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco. Sócio-fundador do Instituto BiomaBrasil - Gestão e Conservação das Zonas Úmidas Costeiras Tropicais. Membro titular da Comissão Técnica sobre Biodiversidade e Qualidade Ambiental do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Autor dos livros “Manguezais” e “Guia Didático: Maravilhosos Manguezais do Brasil”.


Veja a palestra na íntegra no link abaixo

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