sexta-feira, 29 de junho de 2012

Risoflora

Nem precisava publicar aqui no Caos e Clorofila... É público, está no Youtube. Mas queria registrar minha paixão pela obra da Nação Zumbi, em especial a inspiração de Chico Science e de Jorge Du Peixe no CD "Da Lama aos Caos". Obra cantada de Josué de Castro.
Tempos atrás, logo que me mudei para o Recife, Jorge Du Peixe me perguntou: - Você leu a obra de Josué de Castro? Réu confesso, saí daquela conversa para a livraria... Entendi o que significa a cultura mangue do Recife e principalmente o momento épico desses ícones da música. Inspirador!

"Risoflora" fala da paixão de uma pescador marginal por uma lavadeira. Toca aí Chico!




sábado, 23 de junho de 2012

Apoiar o desenvolvimento sustentável de Pernambuco não é investir em Suape

Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco

A motivação em escrever este artigo foi à propaganda institucional da CHESF-Companhia Hidro Elétrica do Rio São Francisco publicada na mídia. É dito que a inauguração de novas subestações e linhas de transmissão que atenderão o complexo industrial e portuário de Suape, com investimentos de 200 milhões de reais, implica que ”apoiar o desenvolvimento de Pernambuco é investir em Suape”.

Aqui cabem alguns comentários sobre esta afirmativa inserida em um contexto onde se evidencia o crescimento econômico do Estado, e não seu desenvolvimento. O que se verifica de fato é a desproporcional concentração e priorização de investimentos que estão sendo realizados no território de Suape em detrimento de outras regiões do Estado que conta com 185 municípios. Não é a intenção do autor questionar a importância que esta empresa teve e tem para o Nordeste, mas sim criticá-la por apoiar hoje um modelo de crescimento concentrador, excludente e predatório com relação as pessoas e ao meio ambiente, fazendo renascer o velho jargão utilizado na época da ditadura militar, onde se dizia que é necessário fazer “o bolo crescer para depois dividi-lo”.

Um dos aspectos da crítica ao modelo adotado baseia-se na concentração de investimentos em Suape. Segundo dados oficiais, de 2007 a 2014 serão investidos no Complexo, mais de 60 bilhões de reais, com recursos públicos e privados. Montante que poderia ser mais bem aplicado se distribuído em empreendimentos descentralizados, menores, sustentáveis, atingindo um número maior de municípios.

Outro erro desta proposta de crescimento econômico insustentável é o interesse de atrair e incentivar que indústrias “sujas”, do século passado, com grande capacidade de poluição (estaleiros, refinaria, petroquímicas, termoelétricas a combustíveis fósseis, ...) se instalem em Suape. A concentração industrial utilizando combustíveis fósseis e seus derivados, em um território de 13.500 ha, é o maior dos erros, pois provocará graves agressões ambientais, poluindo a terra, a água e o ar, além de afetar a saúde das pessoas com doenças características deste ambiente, de muita liberação de gases tóxicos, e que também provocam o efeito estufa, contribuindo assim para o aquecimento global.

Do ponto de vista da empregabilidade o Complexo de Suape deixa muito a desejar. A qualidade dos empregos oferecidos pelas indústrias ali estaladas exige uma capacitação especializada que não foi planejada pelos gestores, implicando em uma importação de mão de obra. Hoje o perfil do emprego é majoritariamente para atender a construção civil, portanto de baixa qualidade e transitório.

Alem das questões econômicas que utilizam conceitos e estratégias altamente discutíveis e polêmicas, outro agravante constatado é relativo à questão social. O tratamento dado aos moradores nativos agride os direitos humanos daqueles cidadãos e cidadãs, visto a truculência de como tem ocorrido a reintegração de posse. Famílias têm sido expulsas brutalmente sem que outro local seja disponibilizado para irem morar, contribuindo para isso as “indenizações” (quando pagas) irrisórias, o que não possibilita a aquisição de outra moradia. A brutalidade contra estas famílias tem ocorrido sistematicamente desde 2007 com a aquiescência das autoridades. O caso mais recente da “selvageria” contra estas populações ocorreu contra os moradores do Engenho Tiriri em 22/05/2012.

Experiências vividas em outras partes do planeta mostraram que no entorno destes complexos industriais, além da devastação do meio ambiente ocorre o aumento de doenças nas populações que habitam no seu entorno. No Brasil um exemplo clássico foi o ocorrido na cidade de Cubatão (58 km de SP) que ficou conhecida como a cidade dos "bebês sem cérebro". De 1978 a 1984, foram registrados vários nascimentos de crianças anencéfalas, e a relação causal foi quase imediata devido às emissões de gases e resíduos industriais, como fator principal para o crescimento de casos de anencefalia, além de outras doenças respiratórias encontradas em maior escala na região. Também distritos industriais como o de Duque de Caxias (RJ), Betim (MG), Porto de Aratu (BA), Pecém (CE), entre outros podem servir de exemplos sobre a qualidade de vida dos seus habitantes.

O progresso desejado não é fazer obras e privilegiar a parte econômica em detrimento de pessoas, comunidades, ecossistemas, e do meio ambiente. Crescimento econômico não se conjuga com desenvolvimento humano. Há que mudar o paradigma da voracidade do lucro para o progresso humano, que implica na melhoria da qualidade de vida das pessoas (educação, saúde, transporte, saneamento, moradia, segurança, lazer, ...). Enquanto isso não ocorrer o crescimento atual com o consumo desenfreado torna as populações mais pobres, aumentando os custos mais rapidamente do que os benefícios, além de cada vez mais destruir a natureza e a própria humanidade. As crises que o mundo atravessa neste inicio do século 21, em particular a econômico-financeira e ambiental, mostram claramente o esgotamento de um modelo promovido pela civilização industrial, e daí urge promover outros valores para o bem estar.

Exemplos são muitos, e devemos tomar como exemplo o já acontecido no país e no exterior, para poder afirmar que os chamados ”benefícios” hoje trazidos pelo Complexo Industrial Portuário de Suape, serão a médio e longo prazo pagos com o sacrifício e a deterioração da qualidade de vida da população pernambucana, que está perdendo a oportunidade de um desenvolvimento sustentável e para todos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

REUNIÃO APRESENTA O ANDAMENTO DA FORMAÇÃO DOS CONSELHOS GESTORES DE 23 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ESTADUAIS

Na manhã de ontem, dia 12 de junho, realizou-se concorrida reunião, em que foram apresentados, pela SEMAS e pela CPRH, os resultados da formação dos Conselhos Gestores de 23 Unidades de Conservação Estaduais.

Representantes de quase todas essas UCs, dos mais diferentes segmentos da sociedade, que se dispuseram a compor os seus Conselhos Gestores, foram informados sobre o estágio alcançado no processo em andamento e os próximos passos a serem dados na implantação desses órgãos de gestão.

Nos próximos dias serão publicadas as 23 Portarias do Presidente da CPRH e definido o cronograma da posse dos Conselheiros.

A partir da constituição dos Conselhos, ocorrerá uma capacitação dos seus membros e serão discutidos e aprovados pelos mesmos os respectivos Regimentos Internos e adotadas as providências para elaboração dos Planos de Manejo.

Mais informações no Blog UPE no CONSEMA-PE

Link abaixo e ao lado para você seguir.

Saudações,

Clemente

http://upenoconsemape.blogspot.com.br/

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Jogo Não Acabou: vamos apitar esta partida

A principal legislação brasileira que regula a preservação das florestas está ameaçada. A população precisa tomar o apito nas mãos e pressionar os políticos

10/06/2012

Após o pífio veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei que alterou o Código Florestal Brasileiro e o encaminhamento da medida provisória que preenche as lacunas deixadas no texto, a campanha Floresta Faz a Diferença entra no segundo tempo com disposição de sobra para pressionar os parlamentares.
A medida provisória voltou ao Congresso Nacional, onde está sendo apreciada por uma Comissão Mista de senadores e deputados. Foram propostas mais de 600 emendas, muitas das quais visam fragilizar ainda mais a legislação em vigor. Além do mais, a Comissão possui uma forte participação de parlamentares da chamada base ruralista.
Batizada de “O Jogo Não Acabou: precisamos apitar esta partida”, a nova campanha do Floresta tem como objetivo alertar a sociedade civil sobre o que está em jogo nas discussões no Congresso. A população poderá monitorar as decisões dos senadores e deputados e, dessa forma, pressioná-los por um Código Florestal que garanta o bem-estar de todos. O apito está agora em nossas mãos.
A campanha é uma ação de apoio ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, um conjunto de mais de 200 organizações da sociedade civil que esteve à frente da mobilização em defesa do veto total ao projeto de lei que alterou o Código. O trabalho conseguiu articular uma ampla rede de apoio que contou com o suporte de artistas, cientistas, intelectuais e da população.

Saiba mais no @florestafazadiferenca

sábado, 2 de junho de 2012

Serviços Ecossistêmicos do Manguezal

Por Clemente Coelho Junior
Instituto de Ciências Biológicas de Universidade de Pernambuco
Instituto BiomaBrasil

Os manguezais dominam os habitats costeiro de regiões tropicais e subtropicais, e caracterizam os ecossistemas estuarinos nessas regiões, constituindo, durante milhares de anos, um importante recurso econômico utilizado pelas populações costeiras dos trópicos. Por essa razão, os manguezais são usualmente considerados entre os habitats mais importantes das zonas úmidas, dentre as unidades paisagísticas classificadas pela Convenção de Ramsar.

Cada unidade paisagística compartilha de características biológicas e físico-químicas próprios, quanto ao tipo de solo, espécies animais e vegetais, nutrientes, correntes marinhas, pluviosidade, dentre outros. Os processos entre estes componentes e dentro de cada um deles permitem que a unidade desempenhe certas funções e que gerem produtos, além dos atributos inerentes ao ecossistema. Dentre os serviços ecossistêmicos conhecidos para o manguezal, se destacam a capacidade de recarga dos aqüíferos; controle de inundações; a estabilização da linha de costa e o controle de erosão; a retenção de sedimentos, substâncias tóxicas e resíduos sólidos; exportação de biomassa; proteção contra tormentas e ventos fortes; estabilização de microclimas; beleza cênica explorada pelo ecoturismo; manutenção da biodiversidade costeira e estoque pesqueiro; diversidade funcional e biológica; singularidade do patrimônio cultural. Destaca-se também como importante mantenedor da segurança alimentar das comunidades tradicionais e ribeirinhas no nosso litoral.

O valor econômico total, atribuído ao ecossistema manguezal pode variar segundo o método utilizado e o serviço ambiental analisado. Para os manguezais de Cananéia, litoral sul de São Paulo, baseado na pesca, turismo e valor de existência chegaram ao valor de US$ 4,741.00/ha/ano. Valor subestimado, se considerar os diversos serviços prestados pelo ecossistema, porém importante numa análise estratégica em termos de gestão.

Há uma série de trabalhos que valoram os serviços relacionados à pesca e o turismo. Mas nos últimos anos tem sido crescente as discussões de sua importância como bioindicador das mudanças climáticas e da elevação do nível médio relativo dos mares. Estudos mais recentes indicam que os bosques de mangue absorvem quatro vezes mais carbono do que outros tipos de florestas, devido às características do solo de reter carbono e da própria dinâmica dos bosques, por ser considerado um sistema jovem.

Assim sendo, é meritório sua proteção e restauração e deve merecer grande atenção por parte do poder público, dado os benefícios econômicos e sociais providos por este.

Abaixo segue uma tabela compilada com os principais serviços.



Provisão
Produção de alimentos
x
Fornecimento de matérias primas
x
Recursos genéticos / Banco genético
x
Compostos bioquímicos
x
Regulação
Climática / Microclimática
x
Hídrica
x
Controle de erosão e retenção de sedimentos
x
Retenção de partículas atmosféricas
x
Controle biológico
0
Estoque / Remoção de CO2 da atmosfera
x
Polinização
x
Infiltração e escoamento pluvial
x
Recarga de aquiferos
0
Prevenção de proliferação de doenças
0
Estabilidade geotécnica (prevenção de desastres naturais)
0
Proteção contra o vento
x
Anteparo para o avanço da maré / Estabil. da linha de costa
x
Fixação de dunas
x
Suporte
Suprimento hídrico
0
Formação de solo
x
Ciclagem de nutrientes
x
Dispersão de sementes
x
Conectividade da paisagem
x
Manutenção da biodiversidade
x
Exportação de biomassa
x
Culturais
Recreação
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Ecoturismo
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Valor educacional
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Valores espirituais e religiosos
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Beleza cênica e conservação de paisagens
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