sábado, 14 de dezembro de 2013

Belo Monte de desgraça

O crescimento econômico em detrimento ao desenvolvimento, gera custos altíssimos para a sociedade. 
O fenômeno social descrito na matéria abaixo, mostra a contra mão que o Brasil está em relação a sustentabilidade. Fenômeno que se repete em muitas cidades, e principalmente ao redor de Suape.
Tentarei na medida do possível atualizar este post com outros divulgados na mídia.
No mais, só preocupação no futuro...

Link: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/12/1385622-empregos-fazem-maioria-apoiar-a-usina.shtml

Clique na imagem para ampliar...



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

E CONTINUA O DESMATAMENTO DOS MANGUEZAIS PERNAMBUCANOS

Por Clemente Coelho Junior

A notícia abaixo acendeu, mais uma vez, o alerta para uma Política Pública Ambiental às avessas, adotada pelo atual governo do Estado de Pernambuco. Contraditória e baseada na geração de emprego e renda com danos ao meio ambiente, sem contabilizar os prejuízos econômicos e sociais, fruto do uso (e abuso) de dispositivos legais duvidosos para a sustentabilidade, com total desconhecimento sobre serviços ecossistêmicos. 

É nitidamente contraditório se desmatar um ecossistema que tem como serviço a retenção do sedimento terrígeno (e lixo, infelizmente), minimizando ou até mesmo evitando o assoreamento do rio, para um serviço de desassoreamento. 

As vezes penso que desmatar as margens do Capibaribe e Beberibe é uma poupança para as empreiteiras, que terão que voltar muito brevemente para executar suas engenharias de desobstrução. É fazer dieta para um infartado "safenado" a base de gordura trans e desobstruir as artérias logo após estarem entupidas pela dieta.

assembleia-legislativa-autoriza-estado-a-desmatar-2535-hectares-das-margens-do-beberibe/

O Governador Eduardo Campos é candidato a Presidente, apoiado por Marina Silva (?), tem como secretário do Meio Ambiente um político do PV, mas tem no currículo um montante de aproximadamente 800 hectares de Área de Preservação Permanente desmatada ou a ser desmatada (preciso conferir, mas de manguezal são aproximadamente 600 ha deste total, vide tabela abaixo), "devidamente" autorizada por ele, para fins de utilidade pública, num dispositivo legal duvidoso, pernicioso e imoral para a sociedade.
O que é Utilidade Pública para este governo? Por que a qualidade Ambiental e  o bem estar humano não são levados em consideração na decisão de enviar projetos autorizativos de supressão dos mangues? Ameaça à segurança alimentar das populações tradicionais, relacionado com o desmatamento de ecossistemas altamente produtivos,  não deveria ser considerada também, colocando em prática o discurso socialista? 

Em suma, a perda da biodiversidade e da saúde das florestas (como as de mangue) devem ser destacadas nas políticas públicas, como recomendada pela ONU como Meta do Desenvolvimento do Milênio! 

Há incompetência demais nos projetos de Engenharia do Estado. Utilizam-se de um planejamento arcaico para transformar a paisagem, devastando a área para construir equipamentos e infraestrutura, enquanto assistimos aos esforços mundiais de mudar os métodos e projetos, visando o mínimo de impacto. Aterrar mangues, modificar cursos de rio, escavar a terra, são engenharias do século XIX! 

Não entrarei no mérito da exclusão social, da expulsão do homem de sua terra, sempre relacionados aos grandes projetos geradores de impactos ambientais, pois isto me parece claro (Vide Belo Monte e as diversas hidrelétricas na Amazônia).
Onde vamos parar? E temos ainda que ouvir falácias travestidas como compensação, criando-se centenas de hectares de Unidades de Conservação (Áreas Protegidas), que sabemos, não sairão do papel. 


Publico uma tabela apresentada no Congresso de Gestão Ambiental em Salvador, sobre as leis autorizativas de supressão dos manguezais pernambucanos, desde 1997. O trabalho completo está logo abaixo da imagem.


ALERTA MÁXIMO AOS PERNAMBUCANOS!
 

Trabalho na íntegra:
http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2013/VI-025.pdf

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PRÉ-SAL: NOSSO FUTURO AMEAÇADO

Imagem modificada de algum site, sem autorização, como também não dei autorização para colocar em risco o meu futuro e dos meus filhos!

Por Clemente Coelho Junior

O discurso era bem bonito, socialista, de que a privatização era um erro, etc e tal. Mas o papo é outro e o PT organiza a maior privatização da história do Brasil. Se isso fosse o maior dos problemas, deixaria a discussão no âmbito político-ideológico, mantendo minha crítica de que promessa política não se pratica, de que fomos traídos, blá, blá, blá...
 

Mas não! O maior erro está em leiloar a área para exploração do petróleo sem um plano de contingência. Iremos entregar a exploração do sub-solo oceânico às empresas incompetentes? Aliás, qual empresa é competente para explorar o petróleo sem causar impactos ambientais? Não estamos falando da exploração na Plataforma ou em jazigos em terra firme. Estamos falando de profundidades superiores a 5 mil metros.
 

Mais uma vez venho com o discurso apocalíptico, me desculpem... Mas é que eu tenho duas filhas e me dá nojo desse governo que quer a qualquer custo crescer de forma insustentável. Nojo da política atual, que não contempla o Meio Ambiente em toda sua integridade. Que não vê o futuro, mas sim o presente e a manutenção do poder.
 

NOSSO FUTURO AMEAÇADO!


OBSERVAÇÃO: Nos comentários abaixo estou atualizando o tema, com alguns links. Acesse...

Recomendo a leitura: risco-em-alto-mar 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

COMUNICADO: A LUTA DO CUMBE É TAMBÉM A NOSSA LUTA


Em apoio a comunidade do Cumbe, Ceará, Brasil
23 de agosto de 2013

Mais de vinte sete famílias da comunidade do Cumbe, município de Aracati no Estado do Ceará, foram injustamente desalojadas do seu território por policiais militares. Autoridades governamentais do Brasil respondem aos interesses particulares de um carcinicultor, violentando os direitos humanos de toda uma comunidade.
A comunidade do Cumbe durante anos reclama seus direitos e a pose de seu território tradicional, assim como vem denunciando a existência de áreas abandonadas por fazendas produtoras de camarão desde 2004.
Durante anos, a comunidade do Cumbe tem realizado um esforço para fazer evidente a intenção do empresário e carcinicultor Rubens dos Santos Gomes, de reativar uma fazenda de camarão, a pesar da ilegalidade e do conflito sobre a pose da terra, com o fim de apropriar-se do território da comunidade.
Para conseguir reativar esta fazenda, o empresário dos Santos Gomes recorreu inclusive à destruição de áreas de manguezal sem que as autoridades tenham atuado devidamente frente à degradação do ecossistema que se encontrava em processo de recuperação.
Para evitar a destruição dos manguezais pelo empresário, habitantes da comunidade ocuparam a área desde o dia 10 de março de 2013. O empresário em resposta iniciou um processo de criminalização contra vários pescadores locais, acusando-os de suposta invasão.
No mês de junho, a Secretaria Executiva da Redmanglar somou-se a denúncia pública do Cumbe, enviando um comunicado e carta ao Prefeito de Aracati expondo verbalmente o conhecimento e preocupação deste caso, entretanto sem resposta. Segundo depoimento de um morador local, este documento também faz parte do expediente do caso no Ministério Público.
Nas últimas semanas, a comunidade foi desalojada pelas forças da Polícia Militar diante do empresário e com a participação das autoridades da justiça. O despejo foi realizou no momento em que a maioria dos habitantes trabalhavam, estavam presentes as mulheres e crianças nesta dramática situação.

Frente a esta situação:
A Redmanglar Internacional expressa sua preocupação e condena a violação dos direitos humanos dos/as moradores/as e habitantes da comunidade do Cumbe.
Rechaça que a justiça e outras instituições governamentais favoreçam interesses particulares a favor de um empresário da carcinicultura, contra o bem comum e coletivo de uma população.
Roga que a Defensoria Pública de Aracati dê seguimento e acompanhamento aos/as moradores/as da comunidade, procurando que seus direitos sejam restabelecidos, dentre eles: o direito ao território comunitário e a segurança da população afetada.
Solicita a Superintendência Estadual do Meio Ambiente – SEMACE que cumpra com sua missão de “Defender o meio ambiente assegurando a melhoria da qualidade de vida das gerações presentes e futuras” assim como cumprir seu marco de gestão atual de “assegurar a integralidade ambiental necessária para a sustentabilidade dos recursos naturais e qualidade de vida”.
Solicita que o Prefeito de Aracati, Ivan Silvério, atue a favor do benefício dos/as habitantes do munícipio, respeite os direitos de sua população e garanta o desenvolvimento social e ambiental do município, ao invés da reativação deste empreendimento camaroneiro que está vulnerabilizando a população e o ecossistema manguezal.
Convida aos meios de comunicação, a divulgar este caso de violação de direitos socioambientais já que a difusão da informação pode ser um apoio trascendental para a comunidade.
Torna de conhecimento público que estará atenta a este caso esperando uma pronta solução em benefício da comunidade.
Expressa aos vizinhos e as vizinhas do Cumbe, solidariedade e apoio neste momento difícil. Animamos para que mantenham a unidade e fortaleza, ao mesmo tempo em que reconhecemos os grandes esforços e luta da comunidade junto as organizações aliadas para proteger seus territórios e defender seus direitos.

Secretaría Ejecutiva
Redmanglar Internacional
Cogmanglar/ Secretaría 2011 – 2013
www.redmanglar.org
redmanglar@redmanglar.org
28 calle 17 – 37, zona 12
Condominio El Rosario
Guatemala, Centroamérica 

Mais informações acesse: www.portaldomar.org.br


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Onde estava a poupança que eu deixei aqui?

"Se a humanidade se comprometesse a consumir a cada ano só os recursos naturais que pudessem ser repostos pelo planeta no mesmo período, em 2013 teríamos de fechar a Terra para balanço hoje, 20 de agosto."

Seria bem legal fazer esse exercício com os estados brasileiros. No meu singelo chute, Pernambuco seria devedor nos dias atuais. E no seu? Segue artigo interessante para uma boa reflexão.

Abaixo está um gráfico com a previsão da ONU na virada do Milênio, no estudo denominado "Avaliação Ecossistêmica do Milênio", que contou com brasileiro no grupo de 250 cientistas. Nessa montanha russa, já consumimos mais da metade da água potável do planeta e utilizamos o mesmo montante de terras para a agricultura.

A minuta em Português você acessa no link: http://www.unep.org/maweb/documents/document.446.aspx.pdf





Link para a matéria completa: planeta-esgota-hoje-sua-cota-natural-de-recursos-para-2013.shtml

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Transparência nuclear?

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Nas últimas semanas revelações surpreendentes sobre continuação da tragédia no complexo de Fukushima Daiichi, no Japão, ocuparam novamente os meios de comunicação de todo o mundo. Enormes quantidades de trítio, césio e estrôncio estão sendo despejados, e envenenando o Oceano Pacifico. Menciona-se a fabulosa quantidade de 300 toneladas de água radioativa por dia despejada.
O governo japonês durante muito tempo confiou na empresa operadora do complexo, Tokyo Electric Power, também conhecida como Tepco. Esta por sua vez, omitiu a existência deste vazamento de água altamente radioativa para o oceano. Este é um pesadelo que não tem fim. O dano que está sendo feito é absolutamente incalculável.  

A cultura do segredo e a falta de transparência cercam as questões relativas ao nuclear, e o que acontece no Japão, acontece também em outras partes do mundo, inclusive no Brasil.
O que era denunciado, mas até então sem provas cabais, de que o governo ditatorial do Brasil, tinha interesse em fazer sua bomba atômica, veio à tona agora com a abertura de arquivos “secretos” do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Em reportagem recente no Jornal Estado de São Paulo, o jornalista Marcelo de Moraes relata que em 10 de junho de 1974, o general Geisel expôs em uma reunião do Alto Comando Militar, a preocupação do governo e dos militares, em relação ao fato de a Índia ter detonado uma bomba atômica, e à possibilidade de os vizinhos argentinos, também testassem um artefato nuclear. Defendeu então, a construção da bomba atômica brasileira.

Em 1979 teve inicio o Programa Nuclear Paralelo, encabeçado pelo governo militar. A existência do Projeto Paralelo, nunca admitido publicamente, e cujas pesquisas na direção da fabricação da Bomba iam de vento em popa, permaneceu secreto. Até que uma reportagem, em 1986, do jornal Folha de São Paulo, revelou a existência de covas e cisternas e poços profundos na Serra do Cachimbo, no Pará; e no Raso da Catarina, no semi-árido baiano. Tudo indicava que seriam para testes com artefatos nucleares.

Ministério Público e o Congresso Nacional ao investigarem o caso descobriram contas bancárias secretas, que dentro do Projeto Paralelo eram chamadas de Delta. Isto poria um fim na ambição do governo militar de fabricar a Bomba, apesar de que, no ano seguinte, o Brasil dominou por completo o ciclo do enriquecimento de urânio. Em 1988 caiu a ditadura, e foi promulgada a atual Constituição, que proíbe o uso da energia nuclear para fins bélicos. Com tudo isso, o programa brasileiro passou a ser "legítimo" e controlado pela estatal Eletronuclear.

Em 1990 outras revelações surgiram sobre o Projeto Paralelo. O fato é que hoje no Brasil, ainda alguns sonham com a fabricação da Bomba tupiniquim, como atestam posições públicas de políticos, acadêmicos, ex-ministros de Estado e militares de alta patente.

A retomada do Programa Nuclear Brasileiro, em junho de 2007 foi outro exemplo de como atua na surdina, na “calada da noite” o lobby nuclear. Sem nenhuma discussão com a população brasileira foi reativado este Programa pelo Conselho Nacional de Política Energética, grupo de 10 pessoas que assessoram a presidência da Republica. Posteriormente em seu Plano Nacional de Energia (PNE 2030), o Ministério de Minas de energia anunciou a construção de mais 4 usinas nucleares no país, além da construção de Angra 3.

Para espanto de todos, duas destas novas usinas seriam construídas no Nordeste brasileiro. Como não bastasse a tragédia do sertanejo frente à omissão governamental com relação ao fenômeno das secas, imaginem agora que na beira do Rio São Francisco será instalado uma usina nuclear. Um verdadeiro ato de insanidade do poder público, que fecha os olhos aos riscos de uma calamidade possível, como a que esta passando o povo japonês.

E este descalabro agora é promovido pelo Clube de Engenharia de Pernambuco, que em um Seminário conjunto com a Eletronuclear, enalteceu o desenvolvimento e as vantagens que a construção de uma usina nuclear trará para o semi-árido Pernambuco. O povo pernambucano merece uma explicação. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A insanidade de promover a eletricidade nuclear

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco e membro da Articulação Antinuclear Brasileira (www.brasilantinuclear.ning.com)

O Clube de Engenharia de Pernambuco (CE-PE) entidade que completou 94 anos de existência, em 1º de junho de 2013, apregoa que um dos seus objetivos é “realizar o estudo de questões técnicas, econômicas e sociais, especialmente, as de interesse público”.

Um dos temas abordados com insistência pelo CE-PE é a questão do desenvolvimento do Estado, em suas diversas regiões. A primeira vista é louvável esta iniciativa. Mas, infelizmente estas discussões têm se restringido a discussões subalternas a um modelo de sociedade consumista, industrial e capitalista. Nada de novo como exige o século XXI frente a inúmeros problemas e desafios enfrentados. As discussões sobre desenvolvimento caem no lugar comum, de promover um desenvolvimento econômico entendido como mero aumento da renda per-capita; baseado em empreendimentos governamentais, sem consultas prévias a sociedade, aos moradores que serão afetados, e sem a devida discussão da degradação ambiental decorrente (irmã siamesa do chamado desenvolvimento econômico). É presumido pelos governantes, e por aqueles que apóiam esta concepção, assim satisfazer as aspirações da população. Ledo engano.


É neste contexto que o CE-PE promove no dia 8 de agosto próximo em Recife, um Seminário intitulado “Desenvolvimento e  Energia Nuclear”, talvez mera coincidência com o título do recente artigo publicado em jornal de grande circulação pelo diretor regional da Eletrobrás “Energia Nuclear e Desenvolvimento”.  Com o apoio e a participação entre seus palestrantes, exclusivamente de quem defende o uso desta forma de energia na geração elétrica, conforme é verificado no material de divulgação distribuído. Este evento não terá discussão, nem debate, mas será meramente um ato promocional desta tecnologia. O CE-PE capitulou frente a interesses contrários aos interesses públicos, pois como publicado amplamente pela mídia nacional, pesquisa de opinião realizada pela BBC no Brasil (e em vários países do mundo), mostram que mais de ¾ da população brasileira é contraria as instalações nucleares no pais.


O exemplo do desastre de Fukushima alertou ao mundo o que representa um acidente nuclear. Mais o Brasil age na contramão dos países que outrora foram exemplos no uso desta tecnologia, como a Alemanha, Bélgica, Áustria, França, Itália, Japão, entre outros; que revisaram os planos para a construção de novas instalações nucleares. Aqueles governantes que ainda propõem novas instalações nucleares estão distantes das opiniões de seus cidadãos, o caso de países como a China e a Índia.


A questão nuclear é pouco discutida em nosso país, e isto tem favorecido o “lobby” nuclear (CE-PE incluído) em avançar nas propostas de novas instalações. No planejamento do setor elétrico, são mencionados a construção de 4 novas usinas nucleares até 2030. Sendo 2 no Nordeste brasileiro, possivelmente (somente ainda não oficializado) uma delas em nosso Estado, no município de Itacuruba, próximo de Floresta, na beira do Rio São Francisco. O velho Chico, como é conhecido o rio da integração nacional, banha 5 Estados e mais de 500 municípios. Imagine o que seria um desastre nuclear com vazamento de material radioativo naquela região? É óbvio que não desejamos tal desgraça, mas como em Engenharia não existe “risco zero”, devemos prevenir. E para não acontecer o desastre, não devemos instalar tal usina. Parece-me óbvio e sensato esta conclusão.


Pois bem, nos pareceu oportuno tornar público o fato de que este evento não é aceito pacificamente por todos os cidadãos que, além de pagar impostos, se sentem responsáveis pela elucidação de aspectos de interesse vital para a vida da população pernambucana. Aqui não se trata de mera reação daqueles opositores, mas sim em alertar a sociedade do papel que esta cumprindo hoje o CE-PE. Que ao meu ver deveria ser sim um local onde se pratica realmente o debate democrático, com autonomia, e com elevado interesse público. E não simplesmente que seja o lócus de “lobbying” de interesses distantes da sociedade.

Verticalização NÃO em Itanhaém, litoral sul de São Paulo

Que tal apoiar essa campanha?

"Já somos 6 mil assinantes ajudando a Ecosurfi a impedir a verticalização que causa sombra nas praias de Itanhaém-SP - Assine e saiba mais: www.change.org/itanhaem

Verticalização urbana sem planejamento gera além de sombra, muralha de concreto (sub-solo) obstaculizando a drenagem natural, afunilamento do vento criando zonas de pressão negativa estagnando a troca contínua do ar, com isso, concentrando a poluição. Paredões para concentrar o barulho urbano, alto foco de pólos geradores de tráfego de veículos e muito mais."

www.fb.com/ecosurfi


terça-feira, 2 de julho de 2013

Dilma trava novas unidades ambientais


COMEÇO ESSE ARTIGO COPIANDO E COLANDO SEM MEDO DE SER FELIZ. SE NOSSA INTENÇÃO É INFORMAR, ENTÃO LEIAM ABAIXO TODO TEXTO. 

O QUE QUEREMOS PARA NOSSO BRASIL?
Acesse o original: dilma-trava-novas-unidades-ambientais.shtml
 

 




JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA


O governo Dilma Rousseff travou a criação de UCs (Unidades de Conservação), uma das principais ferramentas públicas para a proteção do meio ambiente do país.
Em dois anos e meio de gestão, Dilma congelou uma política largamente usada por Fernando Henrique Cardoso e Lula e criou só duas áreas federais protegidas, o número mais baixo em cerca de 20 anos.

Desde a redemocratização, só um presidente decretou menos áreas do que ela -Itamar Franco, responsável por uma unidade. É uma situação similar à que ocorre na atual gestão em relação à expansão da reforma agrária e à homologação de terras indígenas.

Segundo levantamento inédito da ONG ISA (Instituto Socioambiental), há ao menos 14 processos montados pelo Instituto Chico Mendes, órgão federal responsável pelas unidades.

Metade desses processos se refere à mata atlântica, o bioma mais destruído e um dos menos protegidos do país, afirma o ISA.

Integrantes do instituto federal ouvidos pela Folha afirmam que processos como esses estão parados no Ministério do Meio Ambiente e na Casa Civil. Eles não são levados adiante por decisão política, e não técnica, dizem.

Esses funcionários afirmam que faltam força política à ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e interesse pelo tema à presidente, que desde sua passagem pelo Ministério de Minas e Energia vê nas UCs barreiras à exploração hidrelétrica e mineral do interior do país.

Há 12 categorias de unidades, com variados graus de proteção, e nem todas proíbem a construção de usinas ou o uso do subsolo. No entanto, o licenciamento ambiental de qualquer projeto em áreas de conservação é mais complexo e lento.

As UCs têm sido, junto da fiscalização, uma maneira efetiva de o governo barrar a destruição de biomas.

Um estudo de pesquisadores brasileiros e norte-americanos, por exemplo, afirma que a expansão de áreas protegidas foi responsável por 37% da queda do desmatamento da Amazônia entre 2004 e 2006.

Mas, como um relatório ainda inédito da ONG Imazon mostra, essas unidades continuam vulneráveis.

Citando dados produzidos pelo governo, o relatório diz que entre 2011 e 2012 houve um aumento total de 23% no desmatamento das dez áreas protegidas mais desmatadas.

Paulo Barreto, pesquisador do Imazon, diz que "além de não criar unidades Dilma não está cuidando das que foram criadas, ela de fato as está reduzindo", em referência à diminuição de UCs na Amazônia para criar hidrelétricas. "Ao fazer isso, ela manda uma sinalização para quem está ocupando ou tentando ocupar a área: a pressão pode levar a outras reduções."



OUTRO LADO

O Ministério do Meio Ambiente negou que o governo tenha travado a criação de UCs e defendeu o procedimento adotado pelo governo.

"Não existe trava. O ministério e o ICMBio [Instituto Chico Mendes] vêm revendo as práticas adotadas no passado. Esses procedimentos visam basicamente ao aprimoramento das informações técnicas e legais que fundamentam a proposição das áreas protegidas", informou.

"A criação de unidades de conservação é um processo complexo e a superação de conflitos antes da criação contribui para garantir o sucesso e a efetividade das áreas criadas." Segundo o ministério, não há UCs "paradas" no órgão ou na Casa Civil.

Antes de ser enviada à presidente Dilma, a proposta passa por "análises técnicas que envolvem, além do próprio ICMBio, o Ministério do Meio Ambiente, outras pastas, os Estados, municípios e setores da sociedade envolvidos", informou a pasta.O ministério negou que Dilma tenha determinado suspender a criação de unidades.

"O governo está atuando no sentido de expandir a área protegida no país, e não apenas na Amazônia. Além de dar continuidade à criação de novas áreas naquele bioma, com um trabalho integrado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário que visa avaliar a situação e definir a destinação de mais de 50 milhões de hectares de glebas da União, o ministério está também desenvolvendo esforços e estabelecendo parcerias para viabilizar a criação de novas áreas na mata atlântica, no pantanal, na caatinga, no cerrado, no litoral e mar territorial brasileiros."

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Por uma nova política energética



Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Os especialistas da área energética do governo federal, inclusive a mais “famosa” e que ocupa o principal cargo público da nação, têm demonstrado o quanto suas decisões estão na contramão da história.

O Brasil, elogiado até então por contar na sua matriz elétrica com mais de 80% de sua geração com fontes renováveis de energia, em particular as hidroelétricas, não tem levado em conta a nova realidade do papel mundial das fontes renováveis de energia. Indo mesmo na direção contrária, conforme atestam os dados produzidos pelo próprio governo, e de decisões tomadas. Segundo o último inventário de emissões de gases de efeito estufa 2005-2010, lançado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); houve no setor de energia uma alta das emissões no período, de 21,4%.

Com o mesmo discurso do desconhecimento do setor energético, a presidente repetiu a “chantagem” feita pelo seu antecessor. No passado recente foi dito que, ou se aceitava a construção de mega-hidrelétricas na Amazônia, ou teríamos que conviver com novas usinas nucleares. Agora o discurso proferido em abril último é de que, ou se constrói novas hidrelétricas ou aumenta-se a participação das termelétricas a combustíveis fósseis na geração energética.

Só que não dá mais para continuar a enganar ninguém, pois a opção declarada e escrita do governo federal, que consta no Plano Nacional de Energia 2030 (PNE), é de ofertar energia elétrica construindo mega-hidrelétricas, termelétricas a combustíveis fosseis e novas usinas nucleares.

Ao mesmo tempo, se concentra na indústria brasileira do petróleo (o maior vilão do efeito estufa) em torno de 2/3 dos investimentos feitos pelo país no setor energético.

Para alguns, a surpresa maior foi à portaria 137 de 30/4/2013 do Ministério de Minas e Energia (MME), liberando usinas térmicas a carvão mineral - a fonte de energia que mais libera CO2 entre todos os combustíveis fósseis, além de outros gases tóxicos, como o enxofre - a participar do leilão de energia elétrica A-5, programado para agosto próximo. O que contribuirá efetivamente para um aumento da participação desta fonte energética, que hoje corresponde a 1,5% da matriz elétrica do país. Ao mesmo tempo foi proibida a participação da energia eólica neste leilão.

Mesmo que a energia nuclear esteja sendo questionada mundialmente, devido aos riscos de acidentes, o Brasil irá investir R$ 850 milhões no setor, e ainda prevê a construção de um reator multipropósito. Além, dos R$ 10 bilhões na construção de Angra 3. No PNE esta previsto ainda até 2030, a construção de mais 4 usinas nucleares, sendo 2 no Nordeste, e mais 2 no Sudeste. Tudo isto com a defesa apaixonada pela energia nuclear do atual ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (como seus antecessores já haviam feito), que chegou a declarar que a reativação do programa nuclear brasileiro para fins pacíficos é “um dos principais programas da pasta”, do qual ele “não abre mão”.  Pode-se contrastar este depoimento, com o que falou o eminente físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: “Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo”.

O que acontece na área energética se assemelha ao “modus operandi” como as decisões e opções nefastas têm sido adotadas em outras áreas. Sem consulta e participação popular verificam-se decisões completamente autocráticas e descoladas dos anseios da maioria da população. Decisões que afetam não só as gerações atuais como as futuras.

Opções existentes e são apontadas por inúmeros documentos produzidos pela comunidade acadêmica e organizações não governamentais que militam na área energética. Por exemplo, o relatório O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade, lançado em novembro de 2012, mostra a potencialidade da energia solar e eólica no Brasil. Estas fontes são menosprezadas nas políticas públicas. Este documento aponta que, com as tecnologias atuais de energia solar, seria possível atender a 10% da demanda atual de energia elétrica do Brasil. No caso da energia eólica, o potencial inexplorado chega a 340 GW, quase três vezes o total da capacidade elétrica instalada atualmente no país.

Sem contar com outras medidas factíveis, como a implantação de programas de eficiência energética e redução de demanda. Segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), cerca de 10% do total consumido anualmente (430 TWh) são desperdiçados, volume superior ao consumido pelo total da população do estado do Rio de Janeiro, que alcança cerca de 36 TWh.

Alternativas existem, e daí a necessidade urgente de se discutir uma Nova Política Energética para o Brasil. Este assunto foi debatido em um seminário nos dias 23 e 24 de maio último em Brasília, promovido pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, e que teve ao seu final o lançamento de um documento assinado por mais de 40 organizações, instituições e pesquisadores presentes, intitulado “Mensagem a Sociedade Brasileira Por uma Nova Política Energética”. Neste documento a sociedade, os participantes não aceitam mais o modelo autocrático em que são tomadas as decisões, pregam a urgência na mudança de rumo no setor energético, exigindo ampla participação e controle social em uma área estratégica do país.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Quase sessente e cinco anos se passaram, e 1984 está mais presente do que nunca.

Por Clemente Coelho Junior
 
Um botão de reinicialização se acendeu em minha memória no dia de hoje, 14 de junho de 2013, enquanto assistia às cenas de brutalidade da polícia, reprimindo a manifestação popular contrária ao aumento das passagens de ônibus em São Paulo. 

Na memória o ano de 1984, livro escrito por Eric Arthur Blair, que utilizava o pseudônimo de George Orwell, e que foi publicado em 1949. 

É uma leitura obrigatória para todos e todas, nascidos ou não nas décadas de 40, 50, 60... Atemporal.

Bons tempos eram aqueles que nos motivavam às leituras para entender melhor o contexto político. Parece-me que falta motivação nas escolas.

Então, nada melhor do que recomendar este livro aos meus alunos e amigos, sem medo de ser feliz. O ano é 2013, a ditadura é a econômica, mas que vigia, incomoda.

O Século XXI é Owerlliano: governo manipulador das palavras, caçador dos direitos, repressor das manifestações populares.

Copio aqui um trecho que me inspirou, afinal de contas, criei esse blog para motivar a leitura. Fiquem a vontade...

O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ, dizia o letreiro, enquanto os olhos escuros pareciam perfurar os de Winston... Ao longe, um helicóptero, voando baixo sobre os telhados, pairou um instante como uma libélula e voltou a afastar-se a grande velocidade, fazendo uma curva. Era a patrulha policial, bisbilhotando pelas janelas das pessoas. As patrulhas, contudo, não eram um problema. O único problema era a Polícia das Ideias. 



Viva a Copa Do Mundo, mas deixem o povo passar...

Por Clemente Coelho Junior

Revoltante ver políticos com passado esquerdista, com CV repleto de manifestações legitimas e democráticas, responsáveis pela queda da ditadura, discursar criticando os atos políticos contrários a atual política e gestão desses ordinários! 
Nossa democracia foi estuprada por eles. Hoje se escondem numa barricada de partidos corruptos e protegidos por uma polícia despreparada. 
Nossos salários estão sendo corroídos pela inflação, e querem que nos calemos? 
Migalhas para o povo e correção monetária para os empresários do transporte que mamam a mais de 30 anos no governo... É a nova ordem no Brasil.
Viva a Copa do Mundo, mas deixem as ruas livres para o povo passar...
 
 



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lei do lixo caminha devagar, enquanto grande parte dos resíduos ainda vai para lixões

ANDREA VIALLI

Folha de São Paulo - Ambiente
Original em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/06/1289660-lei-do-lixo-caminha-devagar-enquanto-grande-parte-dos-residuos-ainda-vai-para-lixoes.shtml

Caminha devagar a aplicação da "nova" lei de manejo do lixo. Sancionada em 2010 após quase 20 anos de tramitação no Congresso, a política de resíduos sólidos foi considerada avançada ao propor uma nova abordagem para a gestão do lixo nas cidades.
Entre outros pontos, a lei obriga os municípios a abolirem os lixões até 2014 e prevê que todos tenham responsabilidade pelos resíduos que geram: indústria, comércio, prefeituras e consumidores.
Mas, por ser complexo, o cumprimento da lei exige muita negociação. A destinação correta de resíduos como lâmpadas e eletroeletrônicos ao fim de sua vida útil, embalagens e medicamentos depende de acordos entre a indústria, o varejo e o governo que, passados três anos, ainda estão sendo formulados.
Na prática, não há um plano de abrangência nacional para o descarte de resíduos.
"Os acordos setoriais estão ainda em negociação entre as partes envolvidas. É um processo válido, mas que tem se mostrado muito lento", afirma Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, associação que reúne empresas de limpeza pública e tratamento de resíduos.
Os setores que estão mais avançados na formulação dos acordos para gestão dos resíduos são lâmpadas e embalagens. A indústria de eletroeletrônicos apresenta até 13 de junho sua proposta ao governo. Na lanterna está o setor de medicamentos, que ainda não possui um plano.
No caso das embalagens, uma das quatro propostas enviadas ao governo reúne 22 associações e grandes empresas de bens de consumo. Defende que empresas, cooperativas de catadores e recicladoras já estão aptas a cumprir a lei, sem que seja preciso estruturar um novo modelo para a reciclagem no país.
Mas propõe a meta de aumentar a taxa de reciclagem de embalagens em 20% até 2015 --hoje esse índice varia conforme o tipo de resíduo. O plástico PET chega a 57%; embalagens longa vida, 27%.
"A coleta seletiva deve ser intensificada nas regiões metropolitanas das 12 cidades -sede da Copa de 2014, que respondem por 38% dos resíduos gerados no país", diz André Vilhena, diretor do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), que coordenou a proposta encaminhada ao governo.
Entre os fabricantes de lâmpadas, a preocupação é com os custos da logística reversa --que é o recolhimento dos materiais pelo fabricante após o fim de sua vida útil.
"A logística reversa de uma lâmpada pode custar tanto ou mais do que o próprio produto", afirma Isac Roizenblatt, diretor técnico da Abilux, associação que representa a indústria de iluminação. A proposta do setor prevê a criação de pontos de coleta nas lojas.
O varejo também deverá receber os eletroeletrônicos, segundo o plano que o setor apresentará ao governo. As lojas serão responsáveis por armazenar o lixo eletrônico e encaminhá-lo à indústria.
A má notícia para o consumidor é que ele deverá pagar parte dessa conta.
"Uma forma de viabilizar economicamente o sistema é a adoção de uma taxa, a ser paga pelo consumidor no ato da compra, em vez de o custo ficar embutido no preço dos produtos", diz Vanderlei Niehues, diretor da Abree (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos).
A fabricante de computadores HP mantém um programa de recolhimento de equipamentos que abrange 200 pontos em todo o país. O plástico coletado já entra como insumo na fabricação de novas impressoras, mas o sistema é oneroso. "Esta é uma equação que ainda não fechamos", diz Kami Saidi, diretor de sustentabilidade da HP.
 
FIM DOS LIXÕES
Outro ponto da lei que parece longe de se concretizar é a meta imposta às prefeituras de eliminar os lixões até 2014. Hoje, mais de 3 mil municípios continuam descartando em locais inadequados um volume de 24 milhões de toneladas de lixo por ano.
"Há prefeitos falando em estender esse prazo, mas o governo não trabalha com a hipótese do adiamento", diz Zilda Veloso, diretora de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

As florestas ficaram mais frágeis

11 de maio de 2013

Charles Robertson passou 20 anos, entre 1870 e 1890, estudando os insetos que polinizavam as flores de Carlinville, uma pequena cidade nos Estados Unidos.

Para cada uma das plantas que estudou, Robertson identificou todas as espécies que visitavam suas flores. Descobriu que 109 espécies de insetos polinizavam 26 espécies de flores. Como cada espécie de inseto visita mais de uma espécie de planta e cada flor é visitada por mais de um inseto, Robertson identificou um total de 532 pares de flores/insetos e produziu o mais antigo e completo mapa de interações entre as plantas e seus polinizadores.

Cento e vinte anos se passaram e Carlinville perdeu parte de sua mata para a agricultura. Em 2009, um grupo de cientistas voltou à cidade e repetiu o estudo de Robertson nas matas remanescentes.

A comparação dos resultados de 1890 com os de 2009 é a única medida direta que dispomos sobre o impacto da agricultura sobre a rede de interações que une plantas e polinizadores. Se você não gosta de más noticias, é bom parar por aqui.

Mais de 90% das plantas dependem de insetos para reproduzir. Os insetos dependem do néctar e as plantas dependem do transporte de pólen para produzir frutas e sementes. Nas grandes plantações, essa rede é semelhante, mas muito mais simples. Os agricultores dependem de colônias de abelhas para garantir a produção de frutas e os produtores de mel precisam alimentar suas abelhas com o néctar. A produção de frutas na Califórnia depende de 1,5 milhão de colmeias que são transportadas todos os anos de diversos Estados dos EUA para a região. As abelhas trabalham algumas semanas e voltam para casa. Esse aluguel de abelhas complementa a renda dos produtores de mel. No resto do mundo, não é diferente.

Nos últimos anos, com o aparecimento de novas doenças e o uso inadequado de inseticidas, aumentou o número de abelhas que morrem todos os anos, dificultando a recuperação das colmeias. O resultado é uma crescente falta de abelhas. Não sabemos como resolver o problema. Alguns inseticidas já foram banidos, mas tudo indica que essas medidas não serão suficientes. E sem abelhas podemos dar adeus às frutas.

No limite, a sobrevivência de parte de nossa agricultura pode depender de polinizadores presentes na natureza. Mas será que eles não foram dizimados no último século? A resposta está nas informações coletadas em Carlinville.

Comparando os dados de 1890 com os de 2010, os cientistas observaram que somente 125 das 532 interações ainda estão presentes (24%). Mas, como 121 novas interações foram observadas em 2009, o número atual de interações é 246. Conclusão: nos últimos 120 anos, desapareceram 46% das interações entre insetos e plantas nas matas de Carlinville.

Das 407 interações que desapareceram, 45% ocorreram por causa do desaparecimento de espécies de abelhas. Em 1890, havia 109 espécies. Hoje são 54. Por outro lado, o número de plantas envolvidas nessas interações permaneceu constante. Outras interações desapareceram em decorrência de mudanças de sincronia entre os insetos e plantas.

Plantas que floresciam na mesma época em que os insetos eclodiam agora florescem mais tarde em função das mudanças climáticas. O fato é que a rede de polinização dessas florestas diminuiu, e muito. Se em 1890 cada espécie de planta possuía diversos polinizadores, agora conta com um número menor de opções, o que torna o ecossistema mais frágil e menos resistente a mudanças.

Nossos antepassados contavam com a ajuda de dezenas ou centenas de insetos para garantir a reprodução em seus pomares. A agricultura moderna conta com pouquíssimas espécies de abelhas. Um processo semelhante está ocorrendo nas florestas. À medida que a biodiversidade é reduzida, as florestas perdem polinizadores. Com nossa agricultura e nossas florestas ficando mais frágeis, o risco de um colapso aumenta. Aos poucos, estamos cavando nossa própria cova. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Impactos negativos ao meio ambiente custam US$ 4,7 trilhões por ano

Leda Letra
Da Rádio ONU, em Nova York

A iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, Teeb, calcula que os 100 principais fatores de impacto negativo ao meio ambiente custam, por ano, US$ 4,7 trilhões, ou mais de R$ 9 trilhões, para a economia mundial. A queima de carvão para geração de energia no leste da Ásia gera um gasto de US$ 453 bilhões por ano e lidera o ranking. Já a criação de gado na América do Sul é a segunda principal causa das perdas econômicas.

O relatório da Teeb, parceira do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, foi lançado nesta segunda-feira (15) em Nova Déli. Segundo o estudo, os custos são gerados pela emissão de gases de efeito estufa, uso da água e da terra, poluição do ar, da terra e da água e desperdício.

Agricultura e Pesca
Foram analisados os setores de agricultura, pesca, florestas, mineração, exploração de gás e de petróleo e também a produção de cimento, aço, papel, celulose e petroquímicos.

O valor é estimado em cima dos impactos causados pela emissão de gases de efeito estufa e os custos para a saúde por causa da poluição.

Gado e Arroz
A criação de gado na América do Sul causa o segundo pior impacto ambiental, de US$ 354 bilhões todos os anos. No topo da lista estão ainda a produção de trigo e arroz na Ásia e a fabricação de ferro, aço e cimento.

A iniciativa Teeb lembra que a demanda do consumo deverá crescer nos próximos anos, com o aumento da classe média, especialmente em países emergentes. Por outro lado, é cada vez maior a escassez de recursos e a degradação dos ecossistemas.

Economia Verde
O relatório identifica riscos financeiros causados por externalidades ambientais, como mudança climática, poluição, e uso da terra. É sugerido ao setor de negócios e a investidores que levem em conta o impacto financeiro ambiental na hora de tomar decisões.

O estudo avaliou 500 setores de negócios. Para o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, os números do relatório ressaltam "a urgência em se fazer a transição para a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza".

terça-feira, 16 de abril de 2013

Meros mortos, e daí?

Por Clemente Coelho Junior

Todos os dias lemos diversas manifestações, principalmente nas redes sociais, sobre as impunidades no Brasil. E aqui chamo de impunidades, desde a falta de civilidade de um motorista que comete uma infração de trânsito, quanto um crime brutal (efetuado por um “de menor” ou não), sem qualquer ação que possa nos garantir o direito de nos sentirmos protegidos ou amparados. Escarram-se todos os dias as “Notícias Populares” do Brasil - do pobre e do rico, da esquerda e da direita, marrom ou chapa-branca, não importa. É o sensacionalismo que impera sobre a necessidade, alimentado pela “esculhambação” que está este país quanto ao respeito ao cidadão. Pelas impunidades. 
E daí? E daí porque mais uma vez me pego revoltado com os fatos em Suape (PE), camuflados, escondidos por detrás dos difíceis e proibidos acessos ao porto, de mesmo nome. A notícia desta vez vem de forma explosiva, detonada, barulhenta! 
Para a maioria das pessoas, a morte de um Mero, peixe que resisti bravamente à ferocidade humana, parece não ser notícia preocupante. Mas deve ser encarada como tal!
A nossa constituição nos garante: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Capítulo VI - Do Meio Ambiente, Art. 225). A história com seus personagens engravatados se incumbiram de nos munir com uma série de diplomas legais para garantir nossa sobrevivência, diga-se, pacificamente com a natureza. Somos um dos poucos países em que a conservação (com o nome de preservação) estampa na Constituição.
Pois bem, então venho falar aqui de preservação, da vida de outro ser, garantida por lei, que agora é ameaçada pelas atividades do Porto de Suape: explodir os arrecifes para garantir a navegabilidade. Necessária? Não sei, não sou engenheiro e desconheço por completo a planta, chamada de PDZ. Aliás, só uma minoria do governo, os que mamam e os que dão o leite, pois nunca foi apresentada a sociedade e devidamente protocolada nos órgãos ambientais. O que me incomoda é saber que um Mero de 100 kilos aparece morto na praia, sobre os olhares de todos, que estarrecidos, descobrem que morreu por dinamite. O Mero é uma espécie protegida pela força da lei. Não vou ficar estampando quais e quantas, pois para mim numa sociedade justa, a constituição foi ferida. E o que constam as denúncias dos pescadores foram três indivíduos, e muitos outras espécies mortas. 
Pergunto, você sabia que os arrecifes de Suape seriam novamente detonados? Parece até previsível, em se tratando de um porto em expansão, mas onde que está a transparência dos fatos e das ações? Faltei a aula? Ou esconderam-nas para não movimentar a opinião pública? Escondida não estou certo? E continuo perguntando, o estudo de impacto ambiental, conhecido “popularmente” como EIA/RIMA previa tal impacto sobre populações de espécies ameaçadas? Até que provem o contrário, não me recordo de ter lido no documento, nada sobre o efeito deletério da expansão do porto sobre esta espécie, em particular, e que afirmo, protegida por lei. E muito menos que esta seria literalmente explodida... 
Ora, e quantas as outras espécies mortas pelas explosões? E as espécies de importância econômica, relacionada à pesca? Explodiram também? E os pescadores, como ficam? Bem, estes graças a Deus parecem ter ficado de fora ao “bombardeio”, não é? NÃO! Foram e serão afetados. Perderão renda e emprego e porque não dizer, punidos na segurança alimentar.
Parece sarcástico dizer, mas o que se promete se tira do cidadão. E mais ainda, por lei esta espécie não pode se enquadrar como produto pescado.  Mas se morreu um bicho de 100 kilos, morreram diversos outros que somam um milhão de kilos. É isso mesmo, exageros a parte, nunca saberemos... Mas deveríamos saber.


SUAPE ENGORDA O PASSIVO AMBIENTAL E SOCIAL A CADA DIA. DESTRÓI O PATRIMÔNIO NATURAL, AMEAÇANDO A BIODIVERSIDADE. CAPITALIZAM OS LUCROS E SOCIABILIZAM OS PREJUÍZOS.


Você não ficou incomodado com a notícia? Azar dos nossos filhos, netos, sobrinhos, pois estamos a cada dia tirando o direito adquirido constitucionalmente: o de garantir o futuro com qualidade de vida dos nossos brasilerinhos.
Anexo a este desabafo, uma série de notícias veiculadas no dia de hoje que tratam do assunto, que a meu ver, estampam uma importante denúncia.