quarta-feira, 17 de abril de 2013

Impactos negativos ao meio ambiente custam US$ 4,7 trilhões por ano

Leda Letra
Da Rádio ONU, em Nova York

A iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, Teeb, calcula que os 100 principais fatores de impacto negativo ao meio ambiente custam, por ano, US$ 4,7 trilhões, ou mais de R$ 9 trilhões, para a economia mundial. A queima de carvão para geração de energia no leste da Ásia gera um gasto de US$ 453 bilhões por ano e lidera o ranking. Já a criação de gado na América do Sul é a segunda principal causa das perdas econômicas.

O relatório da Teeb, parceira do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, foi lançado nesta segunda-feira (15) em Nova Déli. Segundo o estudo, os custos são gerados pela emissão de gases de efeito estufa, uso da água e da terra, poluição do ar, da terra e da água e desperdício.

Agricultura e Pesca
Foram analisados os setores de agricultura, pesca, florestas, mineração, exploração de gás e de petróleo e também a produção de cimento, aço, papel, celulose e petroquímicos.

O valor é estimado em cima dos impactos causados pela emissão de gases de efeito estufa e os custos para a saúde por causa da poluição.

Gado e Arroz
A criação de gado na América do Sul causa o segundo pior impacto ambiental, de US$ 354 bilhões todos os anos. No topo da lista estão ainda a produção de trigo e arroz na Ásia e a fabricação de ferro, aço e cimento.

A iniciativa Teeb lembra que a demanda do consumo deverá crescer nos próximos anos, com o aumento da classe média, especialmente em países emergentes. Por outro lado, é cada vez maior a escassez de recursos e a degradação dos ecossistemas.

Economia Verde
O relatório identifica riscos financeiros causados por externalidades ambientais, como mudança climática, poluição, e uso da terra. É sugerido ao setor de negócios e a investidores que levem em conta o impacto financeiro ambiental na hora de tomar decisões.

O estudo avaliou 500 setores de negócios. Para o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, os números do relatório ressaltam "a urgência em se fazer a transição para a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza".

terça-feira, 16 de abril de 2013

Meros mortos, e daí?

Por Clemente Coelho Junior

Todos os dias lemos diversas manifestações, principalmente nas redes sociais, sobre as impunidades no Brasil. E aqui chamo de impunidades, desde a falta de civilidade de um motorista que comete uma infração de trânsito, quanto um crime brutal (efetuado por um “de menor” ou não), sem qualquer ação que possa nos garantir o direito de nos sentirmos protegidos ou amparados. Escarram-se todos os dias as “Notícias Populares” do Brasil - do pobre e do rico, da esquerda e da direita, marrom ou chapa-branca, não importa. É o sensacionalismo que impera sobre a necessidade, alimentado pela “esculhambação” que está este país quanto ao respeito ao cidadão. Pelas impunidades. 
E daí? E daí porque mais uma vez me pego revoltado com os fatos em Suape (PE), camuflados, escondidos por detrás dos difíceis e proibidos acessos ao porto, de mesmo nome. A notícia desta vez vem de forma explosiva, detonada, barulhenta! 
Para a maioria das pessoas, a morte de um Mero, peixe que resisti bravamente à ferocidade humana, parece não ser notícia preocupante. Mas deve ser encarada como tal!
A nossa constituição nos garante: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Capítulo VI - Do Meio Ambiente, Art. 225). A história com seus personagens engravatados se incumbiram de nos munir com uma série de diplomas legais para garantir nossa sobrevivência, diga-se, pacificamente com a natureza. Somos um dos poucos países em que a conservação (com o nome de preservação) estampa na Constituição.
Pois bem, então venho falar aqui de preservação, da vida de outro ser, garantida por lei, que agora é ameaçada pelas atividades do Porto de Suape: explodir os arrecifes para garantir a navegabilidade. Necessária? Não sei, não sou engenheiro e desconheço por completo a planta, chamada de PDZ. Aliás, só uma minoria do governo, os que mamam e os que dão o leite, pois nunca foi apresentada a sociedade e devidamente protocolada nos órgãos ambientais. O que me incomoda é saber que um Mero de 100 kilos aparece morto na praia, sobre os olhares de todos, que estarrecidos, descobrem que morreu por dinamite. O Mero é uma espécie protegida pela força da lei. Não vou ficar estampando quais e quantas, pois para mim numa sociedade justa, a constituição foi ferida. E o que constam as denúncias dos pescadores foram três indivíduos, e muitos outras espécies mortas. 
Pergunto, você sabia que os arrecifes de Suape seriam novamente detonados? Parece até previsível, em se tratando de um porto em expansão, mas onde que está a transparência dos fatos e das ações? Faltei a aula? Ou esconderam-nas para não movimentar a opinião pública? Escondida não estou certo? E continuo perguntando, o estudo de impacto ambiental, conhecido “popularmente” como EIA/RIMA previa tal impacto sobre populações de espécies ameaçadas? Até que provem o contrário, não me recordo de ter lido no documento, nada sobre o efeito deletério da expansão do porto sobre esta espécie, em particular, e que afirmo, protegida por lei. E muito menos que esta seria literalmente explodida... 
Ora, e quantas as outras espécies mortas pelas explosões? E as espécies de importância econômica, relacionada à pesca? Explodiram também? E os pescadores, como ficam? Bem, estes graças a Deus parecem ter ficado de fora ao “bombardeio”, não é? NÃO! Foram e serão afetados. Perderão renda e emprego e porque não dizer, punidos na segurança alimentar.
Parece sarcástico dizer, mas o que se promete se tira do cidadão. E mais ainda, por lei esta espécie não pode se enquadrar como produto pescado.  Mas se morreu um bicho de 100 kilos, morreram diversos outros que somam um milhão de kilos. É isso mesmo, exageros a parte, nunca saberemos... Mas deveríamos saber.


SUAPE ENGORDA O PASSIVO AMBIENTAL E SOCIAL A CADA DIA. DESTRÓI O PATRIMÔNIO NATURAL, AMEAÇANDO A BIODIVERSIDADE. CAPITALIZAM OS LUCROS E SOCIABILIZAM OS PREJUÍZOS.


Você não ficou incomodado com a notícia? Azar dos nossos filhos, netos, sobrinhos, pois estamos a cada dia tirando o direito adquirido constitucionalmente: o de garantir o futuro com qualidade de vida dos nossos brasilerinhos.
Anexo a este desabafo, uma série de notícias veiculadas no dia de hoje que tratam do assunto, que a meu ver, estampam uma importante denúncia.



Peixe da espécie mero morre na praia de Suape

LITORAL SUL

Animal foi encontrado por pescadores da região

Publicado em 15/04/2013, às 22h10

Original em: http://jconline.ne10.uol.com.br


Um peixe da espécie mero morreu na praia de Suape, litoral Sul do Estado, na tarde desta segunda-feira (15). De acordo com o ambientalista voluntário Adriano Artoni, que foi chamado para resgatar o animal, pescadores da região encontraram o peixe ainda com vida, na praia.

Estima-se que o peixe morto, que tinha 1,86 metro de comprimento e pesava mais de 100 quilos, seja uma fêmea de aproximadamente 25 anos. Os meros vivem cerca de 50 anos.

Pescadores ligados à Associação dos Pescadores da Praia de Suape relataram que o animal estava atordoado, provavelmente devido às explosões que estão sendo feitas para remover uma barreira de corais para permitir a passagem de navios.

Este foi o terceiro peixe da espécie mero que aparece morto na praia em uma semana. Os pescadores também têm encontrado peixes e outras espécies mortos, além de tartarugas, após as explosões.

O ambientalista tentou contatar órgãos para levar o animal até a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), mas sem sucesso. O animal foi enterrado no manguezal próximo à praia.



NOTA DO BLOG:

Ou estou muito por fora de Suape, ou esta atividade de explosões para destruir os arrecife (de novo) não foram devidamente (re)apresentadas à sociedade. Gostaria muito de saber sobre a autorização dos órgãos ambientais e principalmente da orientação, se é que existiu, para se evitar esse crime ambiental.
Vale lembrar que o Mero é protegido por lei. Saiba mais no link abaixo, bem compilado pela jornalista Verônica Falcão.

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/canais/noticias/2013/04/16/explosoes_em_suape_causam_morte_de_peixe_ameacado_149610.php 

 Outra página na internet divulgando o crime ambiental.

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/04/mero-e-encontrado-morto-na-praia-de-suape-litoral-sul-de-pe.html


 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

DESIGUALDADE INFINITA

Clóvis Cavalcanti
Economista ecológico e pesquisador social; Diário de Pernambuco, 31/03/2013

Recentemente, foi lançado em Pernambuco, o Fórum Permanente de Discussões sobre o Complexo de Suape. À sua frente, a militante do movimento feminino do Cabo Nivete Azevedo e o professor da UFPE Hélio Scalambrini. Trata-se de iniciativa que ajuda a preencher o vazio na iniciativa do governo estadual, que já tem 4 décadas, de discussão com as partes interessadas (stakeholders) acerca da obra. Sobre isso, em abril de 1975, liderei um grupo de cientistas pernambucanos – Vasconcelos Sobrinho, Nelson Chaves, José Antonio Gonsalves de Mello, Renato Carneiro Campos (tio do governador Eduardo Campos), Renato Duarte e Roberto Martins – que contestava o projeto e pedia que ele fosse discutido. Expusemos isso em documento publicado num dia por semanário da época, o Jornal da Cidade e, no dia seguinte, pelos demais jornais recifenses. Nunca a sugestão foi ouvida. O resultado é visível.
Como diz, com razão, documento do novo fórum, a intervenção estatal em Suape “tem sido caracterizada pela violência na retirada das famílias moradoras sem que indenizações justas sejam pagas, e nem novas moradias disponibilizadas, levando estes moradores a se tornarem sem teto, e famílias a viverem precariamente nas cidades localizadas em torno do Complexo”. Essa é uma situação cuja dimensão de calamidade só se percebe conversando com pessoas que passam pelo calvário em que se transformou para elas a truculência do Estado em face de cidadãos ordeiros. Mais incrível é a facilidade com que se martiriza gente humilde, esmagando-a com artifícios jurídicos para que abandone suas casas, seus meios de vida, sua história, seu pertencimento a um território muitas vezes ancestral. É incisivo sobre o tema, o documento do Fórum Permanente de Suape: “Sem dúvida, para a manutenção de padrões sociais dominantes desde o período colonial, os poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) fecham os olhos para a violação dos direitos destas populações invisíveis à sociedade”.
A mesma realidade foi constatada pela ONG Both ENDS, incumbida pelo governo dos Países Baixos, de onde procede, de averiguar a (ir)responsabilidade social de uma empresa holandesa, a Van Oord, que faz dragagem no porto desde 1995 e que recebe apoio do governo holandês para isso. Fui procurado pelo experiente antropólogo ambiental da Both ENDS Wiert Wiertsema em agosto de 2012 para falar sobre Suape. Disse-lhe que fosse ver com seus olhos o que estava acontecendo; que conversasse com gente de lá. Ele ficou alarmado com a situação (ver http://www.bothends.org/uploaded_files/document/130222_Report_Suape.pdf). Falou com pessoas demolidas na sua integridade, como o agricultor Luís Abílio, de Tiriri, um estóico trabalhador de 87 anos, expulso de casa por integrantes da aterradora Tropa de Choque. Infelizmente, essa dureza insana é jogada contra pessoas desprotegidas. Ao mesmo tempo, a elite se diverte construindo, como em Apipucos, um edifício na beira do Capibaribe, contra todo bom senso e a necessidade de proteção às margens de rios. É uma desigualdade infinita.

Reportagem Manguezais no Globo Natureza

Caros leitores do Caos e Clorofila,

Na quinta, sexta e sábado, dias 28, 29 e 30 de março de 2013, veiculou no Jornal Nacional, pelo Globo Natureza, três matérias sobre os manguezais. A primeira reportagem tratou dos manguezais no Combate ao Aquecimento Global; a segunda reportagem mostrou a importância dos manguezais no Norte do Brasil, como a maior extensão contínua desse ecossistema no mundo; e por fim, o impacto da carcinicultura sobre os manguezais.
Podem ser acessadas nos links abaixo, ou na fanpage do Instituto BiomaBrasil.
Em breve iremos transcrever os textos utilizados nas reportagens, antes que sejam retiradas do site...
Assista e divulgue.
Saudações,

Clemente

1) Manguezais-sao-reconhecidos-como-aliados-contra-o-aquecimento-global.html
2) Fonte-de-renda-maior-faixa-continua-de-manguezal-do-mundo-corre-perigo.html 
3) Criacao-de-camaroes-e-uma-das-maiores-ameacas-aos-manguezais.html 
4) Fanpage Instituto BiomaBrasil