terça-feira, 16 de abril de 2013

Meros mortos, e daí?

Por Clemente Coelho Junior

Todos os dias lemos diversas manifestações, principalmente nas redes sociais, sobre as impunidades no Brasil. E aqui chamo de impunidades, desde a falta de civilidade de um motorista que comete uma infração de trânsito, quanto um crime brutal (efetuado por um “de menor” ou não), sem qualquer ação que possa nos garantir o direito de nos sentirmos protegidos ou amparados. Escarram-se todos os dias as “Notícias Populares” do Brasil - do pobre e do rico, da esquerda e da direita, marrom ou chapa-branca, não importa. É o sensacionalismo que impera sobre a necessidade, alimentado pela “esculhambação” que está este país quanto ao respeito ao cidadão. Pelas impunidades. 
E daí? E daí porque mais uma vez me pego revoltado com os fatos em Suape (PE), camuflados, escondidos por detrás dos difíceis e proibidos acessos ao porto, de mesmo nome. A notícia desta vez vem de forma explosiva, detonada, barulhenta! 
Para a maioria das pessoas, a morte de um Mero, peixe que resisti bravamente à ferocidade humana, parece não ser notícia preocupante. Mas deve ser encarada como tal!
A nossa constituição nos garante: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Capítulo VI - Do Meio Ambiente, Art. 225). A história com seus personagens engravatados se incumbiram de nos munir com uma série de diplomas legais para garantir nossa sobrevivência, diga-se, pacificamente com a natureza. Somos um dos poucos países em que a conservação (com o nome de preservação) estampa na Constituição.
Pois bem, então venho falar aqui de preservação, da vida de outro ser, garantida por lei, que agora é ameaçada pelas atividades do Porto de Suape: explodir os arrecifes para garantir a navegabilidade. Necessária? Não sei, não sou engenheiro e desconheço por completo a planta, chamada de PDZ. Aliás, só uma minoria do governo, os que mamam e os que dão o leite, pois nunca foi apresentada a sociedade e devidamente protocolada nos órgãos ambientais. O que me incomoda é saber que um Mero de 100 kilos aparece morto na praia, sobre os olhares de todos, que estarrecidos, descobrem que morreu por dinamite. O Mero é uma espécie protegida pela força da lei. Não vou ficar estampando quais e quantas, pois para mim numa sociedade justa, a constituição foi ferida. E o que constam as denúncias dos pescadores foram três indivíduos, e muitos outras espécies mortas. 
Pergunto, você sabia que os arrecifes de Suape seriam novamente detonados? Parece até previsível, em se tratando de um porto em expansão, mas onde que está a transparência dos fatos e das ações? Faltei a aula? Ou esconderam-nas para não movimentar a opinião pública? Escondida não estou certo? E continuo perguntando, o estudo de impacto ambiental, conhecido “popularmente” como EIA/RIMA previa tal impacto sobre populações de espécies ameaçadas? Até que provem o contrário, não me recordo de ter lido no documento, nada sobre o efeito deletério da expansão do porto sobre esta espécie, em particular, e que afirmo, protegida por lei. E muito menos que esta seria literalmente explodida... 
Ora, e quantas as outras espécies mortas pelas explosões? E as espécies de importância econômica, relacionada à pesca? Explodiram também? E os pescadores, como ficam? Bem, estes graças a Deus parecem ter ficado de fora ao “bombardeio”, não é? NÃO! Foram e serão afetados. Perderão renda e emprego e porque não dizer, punidos na segurança alimentar.
Parece sarcástico dizer, mas o que se promete se tira do cidadão. E mais ainda, por lei esta espécie não pode se enquadrar como produto pescado.  Mas se morreu um bicho de 100 kilos, morreram diversos outros que somam um milhão de kilos. É isso mesmo, exageros a parte, nunca saberemos... Mas deveríamos saber.


SUAPE ENGORDA O PASSIVO AMBIENTAL E SOCIAL A CADA DIA. DESTRÓI O PATRIMÔNIO NATURAL, AMEAÇANDO A BIODIVERSIDADE. CAPITALIZAM OS LUCROS E SOCIABILIZAM OS PREJUÍZOS.


Você não ficou incomodado com a notícia? Azar dos nossos filhos, netos, sobrinhos, pois estamos a cada dia tirando o direito adquirido constitucionalmente: o de garantir o futuro com qualidade de vida dos nossos brasilerinhos.
Anexo a este desabafo, uma série de notícias veiculadas no dia de hoje que tratam do assunto, que a meu ver, estampam uma importante denúncia.



2 comentários:

  1. Triste realidade. Que progresso é esse? Será o mesmo que se estabeleceu na região do Porto de Santos e Cubatão? Estamos de olho!

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    1. Bem provável. Suape tem um crescimento vertiginoso e o passivo cada vez maior. Certamente teremos comprometimento da qualidade ambiental da região.

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