quinta-feira, 28 de novembro de 2013

E CONTINUA O DESMATAMENTO DOS MANGUEZAIS PERNAMBUCANOS

Por Clemente Coelho Junior

A notícia abaixo acendeu, mais uma vez, o alerta para uma Política Pública Ambiental às avessas, adotada pelo atual governo do Estado de Pernambuco. Contraditória e baseada na geração de emprego e renda com danos ao meio ambiente, sem contabilizar os prejuízos econômicos e sociais, fruto do uso (e abuso) de dispositivos legais duvidosos para a sustentabilidade, com total desconhecimento sobre serviços ecossistêmicos. 

É nitidamente contraditório se desmatar um ecossistema que tem como serviço a retenção do sedimento terrígeno (e lixo, infelizmente), minimizando ou até mesmo evitando o assoreamento do rio, para um serviço de desassoreamento. 

As vezes penso que desmatar as margens do Capibaribe e Beberibe é uma poupança para as empreiteiras, que terão que voltar muito brevemente para executar suas engenharias de desobstrução. É fazer dieta para um infartado "safenado" a base de gordura trans e desobstruir as artérias logo após estarem entupidas pela dieta.

assembleia-legislativa-autoriza-estado-a-desmatar-2535-hectares-das-margens-do-beberibe/

O Governador Eduardo Campos é candidato a Presidente, apoiado por Marina Silva (?), tem como secretário do Meio Ambiente um político do PV, mas tem no currículo um montante de aproximadamente 800 hectares de Área de Preservação Permanente desmatada ou a ser desmatada (preciso conferir, mas de manguezal são aproximadamente 600 ha deste total, vide tabela abaixo), "devidamente" autorizada por ele, para fins de utilidade pública, num dispositivo legal duvidoso, pernicioso e imoral para a sociedade.
O que é Utilidade Pública para este governo? Por que a qualidade Ambiental e  o bem estar humano não são levados em consideração na decisão de enviar projetos autorizativos de supressão dos mangues? Ameaça à segurança alimentar das populações tradicionais, relacionado com o desmatamento de ecossistemas altamente produtivos,  não deveria ser considerada também, colocando em prática o discurso socialista? 

Em suma, a perda da biodiversidade e da saúde das florestas (como as de mangue) devem ser destacadas nas políticas públicas, como recomendada pela ONU como Meta do Desenvolvimento do Milênio! 

Há incompetência demais nos projetos de Engenharia do Estado. Utilizam-se de um planejamento arcaico para transformar a paisagem, devastando a área para construir equipamentos e infraestrutura, enquanto assistimos aos esforços mundiais de mudar os métodos e projetos, visando o mínimo de impacto. Aterrar mangues, modificar cursos de rio, escavar a terra, são engenharias do século XIX! 

Não entrarei no mérito da exclusão social, da expulsão do homem de sua terra, sempre relacionados aos grandes projetos geradores de impactos ambientais, pois isto me parece claro (Vide Belo Monte e as diversas hidrelétricas na Amazônia).
Onde vamos parar? E temos ainda que ouvir falácias travestidas como compensação, criando-se centenas de hectares de Unidades de Conservação (Áreas Protegidas), que sabemos, não sairão do papel. 


Publico uma tabela apresentada no Congresso de Gestão Ambiental em Salvador, sobre as leis autorizativas de supressão dos manguezais pernambucanos, desde 1997. O trabalho completo está logo abaixo da imagem.


ALERTA MÁXIMO AOS PERNAMBUCANOS!
 

Trabalho na íntegra:
http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2013/VI-025.pdf

Um comentário:

  1. Muito Bom o artigo!!! Esta realidade deve ser expandida.

    ResponderExcluir