terça-feira, 21 de julho de 2015

VETA ROBINSON - NÃO AO PL63 – NÃO À CRIAÇÃO DE CAMARÃO NO MANGUE

O Comitê Natal de Direitos e a ONG Baobá convidam a população para a Blitz VETA ROBINSON - NÃO AO PL63 – NÃO À CRIAÇÃO DE CAMARÃO NO MANGUE, que acontece nesta quarta-feira, dia 22, defronte ao Midway Mall - Natal/RN, das 10h às 12h.
Ação envolvendo a sociedade para que o GOVERNADOR ROBINSON FARIA VETE o Projeto 63/2015, que qualifica a atividade de carcinicultura como atividade agrossilvipastoril. Ele é danoso ao ambiente e a sustentabilidade da área costeira do Estado do Rio Grande do Norte.
Essa mobilização popular é também iniciativa em conjunto com o IBAMA, a OAB – Comissão de Direito Ambiental, a IFRN-Campus Central, a ANEA, a ACIRN, a Frente Parlamentar Ambientalista, o Movimento Mangue Vivo, o Instituto Reação Periférica, o EcoMar, Bicicletada Natal, o fotojornalista Canindé Soares, a ONG Sítio Araçá, o Núcleo Ecológico de Morro Branco, o Santuário Ecológico da Pipa, o Projeto Tubarões da Costa, a Cápsula Criativa, a ASPOAN, o SOS Mangue e a LucGraf.
A Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte, aprovou no dia 16.07.15, com apenas um voto contrário, uma lei que permite a realização da atividade de criação de camarão em áreas de enorme fragilidade e importância ambiental: os MANGUES.
Consideradas áreas de proteção permanentes pelo Código Florestal Brasileiro e como nós todos sabemos: berçário da vida aquática.
Não se pode negar que a atividade de criação de camarão é importante para a economia do Estado. Mas, temos que reconhecer que ela possui enorme potencial poluidor ao ambiente costeiro e as águas.
Em outros estados do Nordeste, como a Bahia e o Ceará, a carcinicultura vem tendo excelentes resultados, fora da área costeira, gerando um grande número de empregos e aquecendo a economia no interior destes estados.
Isto quer dizer que a atividade de carcinicultura pode e deve ser realizada fora dos ambientes costeiros.
No caso do RN, é importantíssimo lembrar que já existem decisões judiciais terminativas ( na Justiça Federal e no Tribunal Regional da 5ª. Região) que consideram que a atividade de carcinicultura não se identifica com a atividade agrosSilvopastoril e, portanto, que não pode ser REALIZADA EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ESPECIALMENTE EM área de mangue.
O Poder Legislativo considerou esse fato? Não! O Estado do Rio Grande do Norte também convive com uma grave crise hídrica, precisamos portanto, dar um tratamento cuidadoso e responsáveis as suas águas. O Poder Legislativo levou em conta esse fato? Não! Na verdade o Poder Legislativo aprovou a lei, escutando apenas o setor da carcinicultura, sem qualquer interlocução com os movimentos sociais, as organizações e as instituições preocupadas com a proteção do ambiente. Ao contrário, vem se negando a realizar esse diálogo.
É inadmissível e inaceitável, especialmente quando essas entidades e instituições se colocam disponíveis para colaborar com esse debate.
A sociedade potiguar precisa ter conhecimento desses fatos. A carcinicultura é importante para o Estado, mas não com a destruição dos mangues.
Vale lembrar, por fim, que, além de todas as violações que o PROJETO DE LEI 063/2015 faz à Constituição Federal, legislação federal e estadual, ele também viola vários Tratados, Convenções e Acordos Internacionais dos quais o Brasil é signatário, que visam à proteção do meio ambiente, no que se inclui o ecossistema dos manguezais.
Dentre tantos, destacamos especialmente o Tratado de RAMSAR e Resolução nº VII.21, aprovada por ocasião da 7ª Conferência das Partes-COP7, em maio de 1999, em São José, Costa Rica, que tornou o Brasil “fiel depositário” das zonas úmidas de importância internacional ( dentre os quais encontram-se os manguezais)
O protagonismo do Brasil nas questões ambientais no cenário internacional, como um líder ambiental, vem decrescendo fortemente nos últimos anos. É um fato. Para tentar recuperar sua liderança e imagem no mundo, o Brasil prepara um documento (com ajuda do COPPE/RJ) para ser entregue na Conferência das Partes, que será realizada em Paris (novembro/2015), onde reafirma, com novas metas, seus compromissos em prol de um mundo mais sustentável e de um Brasil defensor do meio ambiente.
Este é o Brasil e suas ferozes contradições. É preciso que o mundo todo saiba, em novembro/2015, o Brasil que Dilma apresentará não é o Brasil real. Lá serão apresentadas metas para recuperar e restaurar florestas, enquanto no Rio Grande do Norte leis são aprovadas para destruí-las.
Precisamos que a sociedade tenha conhecimento de todo esse cenário, que envolve a grande perda que ocorreu na Assembleia Legislativa e possa nos ajudar a reverter esse quadro.
Escutemos e pratiquemos as palavras do Papa Francisco “Vamos cuidar da nossa casa. Vamos cuidar do nosso ambiente”.
A hora é agora. Vamos nos unir nessa missão!
Participe assinando a petição online na plataforma da rede social do Avaaz:


GOVERNADOR ROBINSON FARIA VETE o Projeto 63/2015. Ele é danoso ao ambiente e a sustentabilidade da área costeira do Estado do Rio Grande do Norte.

Serviço:
Blitz: VETA ROBINSON – NÃO AO PL63 – NÃO À CRIAÇÃO DE CAMARÂO NO MANGUE
Data: 22.7.15 (quarta-feira)
Local: Defronte ao Midway Mall
Horário: 10h às 12h
Vai rolar: panfleto educativo e adesivação em veículos
Realização: Comitê Natal de Direitos e ONG Baobá
Parcerias:
IBAMA, OAB – Comissão de Direito Ambiental, IFRN-Campus Central, ANEA, ACIRN, Frente Parlamentar Ambientalista, Movimento Mangue Vivo, Instituto Reação Periférica, EcoMar, Bicicletada Natal, fotojornalista Canindé Soares, ONG Sítio Araçá, Núcleo Ecológico de Morro Branco, Santuário Ecológico da Pipa, Projeto Tubarões da Costa, Cápsula Criativa, ASPOAN, SOS Mangue e a LucGraf.
Informações:
Haroldo Mota (84)98845.4603
Maria Valentim (84)99695.0201
baobacontato@gmail.com
mariadasnevesvalentim@gmail.com


sexta-feira, 5 de junho de 2015

POSICIONAMENTO DA REDMANGLAR ANTE A COP12 DE RAMSAR - URUGUAY 2015


NUESTRA POSICIÓN ANTE
COP12 DE RAMSAR




CAMARONERAS Y SALINERAS
NO SON HUMEDALES ARTIFICIALES,
RAMSAR DEBE SACARLAS DE SU SISTEMA DE CLASIFICACIÓN

Del 1 al 9 de junio se celebrará en  Punta del Este, Uruguay, la doceava Conferencia de las Partes de la Convención RAMSAR, denominada COP12. Ante esta Convención Redmanglar Internacional solicita a RAMSAR, retire de su listado de clasificación de humedales artificiales  a la industria camaronera y salinera, entre otras.
LA CONVENCIÓN
La Convención Ramsar es el único tratado intergubernamental a nivel internacional específico sobre la conservación y uso racional de los humedales.  “Negociado en los años 1960 por los países y organizaciones no gubernamentales que se preocupaban por la creciente pérdida y degradación de los hábitats de humedales de las aves acuáticas migratorias, el tratado se adoptó en la ciudad iraní de Ramsar en 1971 y entró en vigor en 1975. Es el único tratado global relativo al medio ambiente que se ocupa de un tipo de ecosistema en particular, y los países miembros de la Convención abarcan todas las regiones geográficas del planeta.”


LOS MANGLARES EN LA CONVENCIÓN RAMSAR
Ramsar cuenta con aproximadamente unos  2,177 sitios designados en la Lista de Humedales de Importancia Internacional, que suma una superficie de 208,518,408 hectáreas. Según el informe “La Convención Ramsar y los ecosistemas de Manglar” (2006) hasta febrero de ese año, 177 sitios Ramsar presentaban ecosistemas de manglar.
Han pasado 44 años desde la creación de la Convención RAMSAR, pero  hasta la fecha los humedales continúan siendo sistemas altamente presionados, tanto por las dinámicas y modelos económicos, como por actividades industriales y agroidustriales de alto impacto ambiental, industrias extractivas y por la poca o nula voluntad política de los gobiernos.
Los manglares son  uno de los humedales y ecosistemas más amenazados del planeta. Estudios realizados han revelado una gran pérdida del ecosistema manglar en zonas tropicales y subtropicales, en algunos casos más del 30% de estas áreas han sido destruidas para la producción de camarones, siendo esta actividad reconocida como su principal amenaza a escala global.

CAMARONERAS, SALINERAS Y HASTA ESTANQUES MINEROS AUN CONSIDERADOS HUMEDALES POR RAMSAR
A pesar de los graves impactos que genera  la camaronicultura industrial tanto para los ecosistemas como para las poblaciones humanas, RAMSAR aún considera a esta industria depredadora, como  “Humedal Artificial”, compartiendo esta clasificación junto a salineras industriales, represas hidroeléctricas y piletas de residuos mineros.
La industria camaronera tiene un gran historial de violaciones a los derechos humanos en los lugares donde opera, que van desde el desalojo de comunidades y pueblos costeros, daños a la salud de las poblaciones locales, acciones represivas e intimidatorias hacia quienes se oponen o cuestionan sus proyectos, hasta asesinatos y muertes de líderes y lideresas locales.
LOS IMPACTOS DE LA INDUSTRIA CAMARONERA
·         Amenaza la integridad de los ecosistemas costeros.
·         Disminuye las funciones de los servicios ecosistémicos.
·         Amenaza la soberanía alimentaria de los pueblos costeros.
·         Utiliza métodos de pesca destructivos.
·         Participa activamente en la sobreexplotación pesquera y en la inseguridad
·         alimentaria en todo el mundo.
·         Contribuye al calentamiento global y la crisis climática.
·         Privatiza tierras de dominio público.
·         Crea conflictos armados y viola los derechos humanos.
·         Profundiza la injusticia socio-ambiental.
·         Infringe la legislación ambiental.
·         Repartición inadecuada de los recursos públicos.
·         Amenaza la salud de los trabajadores y consumidores.
·         Maquillaje verde de la destrucción mediante la certificación.
·          
ANTE LA COP 12 DE RAMSAR
Redmanglar Internacional  cuestiona el hecho de que granjas camaroneras, estanques de acuicultura y salineras, sean considerados por la Convención  RAMSAR como humedales artificiales.
Estas industrias deben ser clasificadas dentro de los listados de actividades que generan impactos negativos a los humedales y otros ecosistemas asociados, así como a las comunidades y pueblos que los habitan.
Colocar las camaroneras, salineras y otras actividades industriales como “Humedales Artificiales” es otro argumento más utilizado por estas industrias de alto impacto socio ambiental, que solo contribuye con el maquillaje verde de sus actividades.  
Considerarlos como  “Humedales Artificiales” no es un criterio justo para la realidad de estos proyectos ni para las miles de comunidades que enfrentan duras batallas en muchos países miembros de la Convención Ramsar, para que sus derechos sean respetados.
Redmanglar llama la atención a la Convención RAMSAR, a su cuerpo científico, técnico y a los países y partes contratantes a:

a.)    Revisar con atención la clasificación de humedales y a realizar los cambios necesarios para excluir de esa clasificación:

1) Estanques de acuicultura (por ej. estanques de peces y camaroneras). 
2) Zonas de explotación de sal; salinas artificiales, salineras,
3) Áreas de almacenamiento de agua; reservorios, diques, represas hidroeléctricas, 4) Excavaciones; canteras de arena y grava, piletas de residuos mineros.

b.)    Implemente e impulse por medio de sus partes contratantes  acciones correspondientes para impulsar una categorización especial de los manglares como ecosistemas en estado crítico de conservación, vulnerables y en peligro. 

c.)    Insta a las partes contratantes de la Convención, a crear mecanismos legales que sancionen y penalicen de manera más drástica  la destrucción, tala, degradación e impactos negativos, sean éstos directos o indirectos que se ocasionen al ecosistema manglar, generados por actividades de explotación, de alto impacto ambiental y social.

Secretaría Ejecutiva
Redmanglar Internacional

Guatemala, Centroamérica. 
Tel. (502) 2476 - 8663

terça-feira, 2 de junho de 2015

Carta de Bom Jesus da Lapa - O RIO PRECISA, A CAMINHADA SEGUE!

IV Encontro Popular da Bacia do Rio São Francisco
Carta de Bom Jesus da Lapa
O RIO PRECISA, A CAMINHADA SEGUE!

Dez anos após o I Encontro Popular da Bacia, reunimo-nos no mesmo local, Bom Jesus da Lapa, nos dias 28 a 31 de Maio de 2015, para avaliar a trajetória de atuação da Articulação Popular São Francisco Vivo (SFVIVO), então criada, e planejar seu futuro. Por meio desta carta, nós, 78 pessoas, representantes de 58 organizações populares, movimentos sociais, sindicatos, associações, acadêmicos, pastorais e ONGs do Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco, nos dirigimos ao povo do São Francisco, às autoridades e a toda sociedade.

Diante da situação atual da Bacia do Rio São Francisco, muito mais grave do que há 10 anos, consolidou-se neste encontro um sentimento comum de que a SFVIVO precisa continuar. Oportunamente, neste momento crítico, busca relançar-se em novas bases, com mais protagonismo e autonomia popular, garantidos também pela auto-sustentação, e manter-se firme na luta em defesa da vida do Rio e do seu Povo.

Pautados na atual crise hídrica geral e do São Francisco em particular, representantes da Cia. de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) e do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), ouviram uma extensa lista de queixas e reivindicações dos ribeirinhos e ribeirinhas presentes, sem que tivessem convincentes respostas a dar. Lamentamos a ausência de órgãos convidados, mesmo justificadamente: Ministério Público Federal e Secretaria do Patrimônio da União. Muito mais lamentamos, indignados, as ausências sem justificativas: Ministérios da Integração Nacional e do Meio Ambiente, Cia. Hidrelétrica do São Francisco (CHSEF) e Agência Nacional de Águas (ANA).

Nossa troca de experiências e debates nos levaram a perceber que nossas lutas continuam sendo basicamente as mesmas, bem mais exigentes, com conquistas pontuais, porém, com derrotas estruturais muito maiores, vinculadas ao êxito do grande capital, que se expande avassalando territórios, bens naturais, gentes e organizações da sociedade civil. Neste momento, os movimentos populares “bateram a cara no muro” restando as alternativas de recuo e mudança de rumos ou ruptura e derrubada do “muro”...

Os testemunhos do povo do São Francisco reafirmaram o estado de destruição do Rio e sua Bacia, com a certeza de que por parte do sistema de exploração e dominação não haverá reversão deste quadro. Entendemos que a vitalidade do Rio implica “Terra, Água, Rio e Povo”, por isso, nos colocamos a ouvir, interpretar e tirar consequências práticas das experiências das comunidades e povos nos eixos: Lutas pela Terra e Territórios, Enfrentamentos de Projetos do Capital e Revitalização da Bacia.

Terra e Territórios – Os processos de retomada de territórios foram bastante evidenciados. Representantes de povos e comunidades em luta (Indígenas, Quilombolas, Pescadores, Geraizeiros e Fundos e Fechos de Pasto) relataram que as conquistas só se deram com resistência incondicional. Assim tem que ser, pois grandes são as ameaças, do capital e do Estado mancomunados... A contribuição da SFVIVO tem sido importante nos intercâmbios, informação e formação, conhecimento de direitos, visibilidade e afirmação da história, da cultura e da tradição, que fortalecem as lutas.

Enfrentamentos de projetos do Capital – O agronegócio, privado e público (perímetros irrigados), a mineração e os projetos energéticos, com barragens, PCHs, e grandes usinas eólicas, nucleares e, agora, chegando as solares, prometem progresso, emprego e renda, mas não é o que acontece, são um comprovado falso desenvolvimento. Se é desenvolvimento, para quem é e a que custo? Impactam negativamente comunidades, com danos sociais e ambientais irreversíveis, desrespeitam as várias formas de vida, trabalho e a cultura popular. Afetam mais as populações vulneráveis, resultando em violência, desestruturação familiar, perda de renda, prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes, como constatado nas obras da Transposição. Compensações e mitigações de impactados precisam urgentemente ser submetidas ao efetivo controle social. Novas e absurdas transposições do São Francisco se anunciam (Eixos Oeste para o Piauí e Sul para a Bahia), com o único objetivo de expansão do agrohidronegócio. Esta é também a finalidade do MATOPIBA, estratégia público-privada para terminar a devastação do que resta dos Cerrados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, afetando irremediavelmente áreas de recarga do São Francisco na Bahia. O modelo desenvolvimentista não mais se sustenta! Nossas lutas reativas são fundamentais para garantir direitos e preservar territórios, mas para derrotar o modelo precisamos avançar para outro patamar de articulação e unidade das forças populares.

Revitalização da Bacia – A revitalização está essencialmente concentrada no esgotamento sanitário, como se o problema do São Francisco fosse apenas qualidade da água, quando existe o grave e principal problema da quantidade seguidamente diminuída. Não há como revitalizar o Rio sem impedir novos empreendimentos do agronegócio, de energia e de mineração, e sem recondicionar os existentes - uma Moratória para o Cerrado e toda a Bacia. São necessários os esforços para proteção de nascentes e reflorestamento das áreas degradadas, mas insuficientes e, em muitos casos, meros paliativos de faz de conta. São ações realizadas de forma burocrática e ineficaz, sem controle social, transparência e participação das comunidades. Nossas iniciativas populares de revitalização de microbacias e de luta pelo saneamento, nos marcos do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), ainda que só “básico”, bem como as alterações individuais e coletivas de hábitos cotidianos são também afirmação política, condição moral para exigir mudanças dos grandes degradadores da Bacia, maiores responsáveis pela sua ruína.

Com base nesta avaliação e com estas proposições, consoante a crise hídrica, decidimos que a nossa prioridade para os próximos anos será a defesa da ÁGUA em quantidade e qualidade em toda Bacia do São Francisco, da nascente à foz e em todos seus afluentes. Para isto, vamos nos dedicar à denúncia da má gestão da água e ao reforço da proposta de uma Moratória do São Francisco, que fizemos em 2014, na pior crise do rio até agora. Vamos nos esmerar pela Revitalização da Bacia do São Francisco, com informação e formação e constituição de Núcleos Municipais de Cidadania dedicados à luta pelo saneamento ambiental e à recuperação de microbacias, entendendo que o atual Programa do Governo Federal é paliativo, publicitário, insuficiente. Para tal, reorganizamos a SFVIVO, com mínima estrutura de funcionamento e máxima dedicação de todos e todas que a fazem.

Conclamamos as organizações e pessoas que se preocupam com a vida do Rio São Francisco a juntarem-se a nós nessa empreitada, na certeza de que o horizonte ainda estará a brilhar para quem insistir na caminhada, pois, parafraseando a poeta Cora Coralina, “tem mais chão nos nossos olhos do que cansaço em nossas pernas, mais esperança nos nossos passos do que tristeza nos nossos ombros, mais estrada em nosso coração do que medo em nossas cabeças”. Isso sentimos, na tarde de hoje, corpos, corações e mentes irmanados, os pés molhados no leito raso do São Francisco, no toré dos Pankará e Kariri-Xocó, em troca de energias vitais com o Rio e seus Encantados. Decretamos que, nem que seja de choro e suor, de tamanha gratidão e luta, queremos com água encher nosso Velho Chico!

“São Francisco Vivo – Terra, Água, Rio e Povo”.

Bom Jesus da Lapa, 31 de Maio de 2015.


Agência 10Envolvimento / Barreiras-BA, Assentamento 17 de abril, Associação de Fundo de Pasto de Areia Grande / Casa Nova-BA, Associações de Fechos de Pasto de Correntina-BA, Associação de Fundo de Pasto de Riacho de Santo Antônio / Sento-Sé-BA, Associação de Mulheres Pescadoras / Ilha das Flores-SE, Associação Quilombola da Foz do SF – SE, Associação Quilombola de Barra do Parateca (BA), Associação Quilombola de Brejo dos Crioulos (MG), Associação Quilombola de Brejões dos Negros (SE), Associação Quilombola de Resina / Brejo Grande-SE, CAACTUS Campo Formoso-BA, CAPAESF Serra do Ramalho-BA, Cáritas Diocesana de Januária-MG, CETA/BA, Colônia de Pescadores Z-026, Comissão Paroquial de Meio-Ambiente / Caetité-BA, Comissão Pastoral da Terra BA / MG / Nacional, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre, Comunidade de Pescadores de Caraíbas / Pedras de Maria da Cruz – MG, Conselho Indigenista Missionário / AL, Conselho Pastoral dos Pescadores Baixo SF / BA / Nacional, Diocese de Floresta, Diocese de Bom Jesus da Lapa, Ecodebate (Rio de Janeiro), Escola Ilha da Canabrava / Bom Jesus da Lapa-BA, Folia de Reis / Porteirinha-MG, IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada), Juventude Franciscana (JUFRA), Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho - Lasat / Fiocruz, MAB / Oeste-BA, Movimento de Mulheres Camponesas / Neópolis-SE, Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais / Neópolis-SE, Movimento Gandarela-MG / Movimento pelas Serras e Águas de Minas, MPA / SE e Vale do São Francisco-MG, MPP Januária-MG e Pedras de Maria da Cruz-MG, MST Pirapora-MG, MTC Brasil, PA Rio Branco / Riachão das Neves – BA, Pastoral da Juventude / Sento-Sé-BA, Pescadores do Baixio de Irecê-BA, Povoado São João / Itaguaçú-BA, Povoado Poço Grande / Itaguaçú-BA, Povo Pankará PE, Povo Kariri-Xocó SE, Revitalização do Rio Serra Branca / Porteirinha-MG, Rizicultores de Sergipe, Secretaria de Educação / Bom Jesus da Lapa-BA, Secretaria de Educação / Juazeiro-BA, STR Porteirinha-MG, STR Cotegipe-BA.


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Carta enviada pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social


quinta-feira, 30 de abril de 2015

A decadência econômica do rio São Francisco.

Por Roberto Malvezzi (Gogó)
http://www.robertomalvezzi.com.br/visao/index.php

Enviado pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social


O óbvio se confirma. As principais atividades econômicas do rio São Francisco começam a entrar em decadência, em razão da diminuição do volume de água do Velho Chico. Hoje o ponto com mais água está aqui entre Juazeiro e Petrolina, com 1.000 m3/s. Vale lembrar que a vazão média do São Francisco até alguns anos atrás era de 2.800 m3/s. Sobradinho está com apenas 17% de sua capacidade ocupada por água.

Não estamos falando da pesca, da agricultura de vazante, nenhuma dessas economias das populações tradicionais. Essas estão extintas ou fragilizadas há muitos anos. Falamos da economia do capital.

A geração de energia começa declinar. Nesse momento apenas uma de seis turbinas está gerando energia em Sobradinho. Construído mais para servir de caixa d’água para as barragens à jusante que para gerar energia, foi aproveitada de última hora no regime militar para também gerar. Num debate na Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) na semana da água, os técnicos avisaram que a única turbina em funcionamento vai parar até final de junho ou início de julho.

Segundo, foi avisado que em final de julho e começo de agosto vários projetos de irrigação da região poderão ter seu acesso à água cortado. Os dois mais ameaçados são o Nilo Coelho – margem esquerda, Petrolina – e o Maniçoba na margem direita, em Juazeiro. Em ambos a distância da água será tão grande que sua captação será inviabilizada.

Acontece que Juazeiro/Petrolina montaram sua economia baseada na irrigação. São as fazendas irrigadas, que demandam água, insumos, implementos, mão de obra, que por sua vez movimentam o comércio de alimentos, eletrodomésticos, construção civil, carros, bares, restaurantes, assim toda cadeia produtiva.

Em breve pode acontecer com Juazeiro/Petrolina o que Monteiro Lobato chamou de “Cidades Mortas” no Vale do Paraíba depois que o ciclo do café se encerrou e deixou para trás cidades fantasmas economicamente mortas. Toda economia baseada em um único ramo produtivo acaba por ter esse final trágico.

Por fim, o que era para ser uma hidrovia – vocação natural do Velho Chico entre Juazeiro e Pirapora – hoje não passa de um filete de água com a população atravessando à pé seu leito, como é o caso entre comunidades de Pilão Arcado e Xique-Xique. Nem barcos menores conseguem mais navegar com facilidade. A ideia de transportar a soja do Oeste Baiano para Juazeiro ou Petrolina via rio hoje não passa de um delírio.

Mesmo assim vários projetos de expansão da água do São Francisco continuam na agenda, como a Transposição de Águas para outros estados no Nordeste, o Canal do Sertão em Petrolina, o Baixio do Irecê na Bahia, assim por diante.

Que a equação não fecha todos sabem. Enquanto isso, o Velho Chico definha a olhos vistos. Agora os que se beneficiam do rio – setor elétrico, irrigação, agro e hidro negócios, etc. – começam sentir na pele o resultado do processo destrutivo. O futuro dessas atividades econômicas está atrelado inexoravelmente ao futuro do rio. Aliás, como de toda população do Vale.

Essa decadência não é pontual. Há mais de dez anos, desde o apagão, o São Francisco não mais recuperou grandes volumes de água. Portanto, o raciocínio correto é que essa é a nova realidade, a exceção será alguma cheia.

Aqui em Juazeiro/Petrolina os irrigantes estão apavorados e não é sem razão. Porém, nada indica que se queira rever a fundo o modelo econômico predador imposto ao velho rio. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Maravilhosos manguezais e peixes-boi: unidos pela vida


Por Clemente Coelho Junior

Algum dia desses...


O Manguezal é um ecossistema costeiro da zona do entremarés, que pode apresentar feições distintas: lavado, bosque de mangue e apicum. O “lavado” é a feição exposta à maior frequência de inundação, apresentando substrato lodoso sem vegetação vascular. O “mangue” apresenta cobertura vegetal típica, constituída por espécies arbóreas que lhe conferem fisionomia peculiar. A feição “apicum” limita-se à feição mangue, e é atingida nas preamares de sizígia, equinociais ou em virtude de eventos meteorológicos, podendo apresentar-se nos períodos escassos de chuva com acúmulo de sal no sedimento. Esta última feição é muito comum no nordeste brasileiro.

Manguezal do Rio Tatuamunha (Porto de Pedras, AL)
Foto Clemente Coelho Junior
Os manguezais dominam os habitats costeiros de regiões tropicais e subtropicais, e caracterizam boa parte dos estuários, do Amapá a Santa Catarina, e são importantes transformadores de matéria orgânica em biomassa animal e vegetal, impulsionando uma complexa e importante cadeia alimentar, na qual se destacam diversas espécies de importância econômica e algumas ameaçadas de extinção.
Dentre tais espécies, o peixe-boi marinho possui uma íntima ligação com os manguezais nordestinos. As condições do meio são propícias para a espécie, como área de abrigo e proteção, alimentação e reprodução. Sabe-se que as árvores de mangue não representem a maior parte da dieta da espécie, entretanto, as folhas e as tenras raízes aéreas que se projetam dos troncos sobre os estuários complementam a sua alimentação e servem como adstringentes, devido a grande concentração de tanino. Os bosques auxiliam ainda na captação de água das chuvas, que escorrem pelas folhas, fornecendo um verdadeiro bebedouro natural. 

Peixe-Boi bebendo água da chuva.
Foto Clemente Coelho Junior
Mas a relação não para por aí. Os manguezais protegem a linha de costa atenuando os efeitos erosivos das marés e ainda aprisionam sedimento de forma eficaz no seu emaranhado de raízes e troncos, evitando o assoreamento dos rios. As margens dos estuários e os diversos canais mareais internos aos bosques são utilizados pelos peixes-bois e suas crias para abrigo e descanso.

Peixe-Boi dentro do recinto do Centro de
Mamíferos Aquáticos (ICMBio), em Porto de Pedras (AL)
Foto de Clemente Coelho Junior
Graças ao ecossistema manguezal há água limpa e tranquila para a espécie. Porém, este maravilhoso habitat é um dos mais vulneráveis aos efeitos deletérios do crescimento econômico e da expansão desordenada dos núcleos urbanos, impondo severas alterações na qualidade das águas estuarinas, baías, lagunas e lagoas costeiras. Recentemente, com a aprovação do Novo Código Florestal, em substituição à Lei Federal 4771/65, projeta-se cenários preocupantes, uma vez que a nova lei garante o uso de 35% dos manguezais nordestinos para a carcinicultura (criação de camarão marinho). Em suma, vem aí mais ameaça ao habitat dos maravilhosos peixes-bois marinhos.

Leitura recomendada:
1) Coelho-Jr, C.; Almeida, R. & Corets, E. (org). Guia Didático Os Maravilhosos Manguezais do Brasil. 2. ed. Vitória: Papagaya Editora, 2008. v. 1. 266p.
2) Schaeffer-Novelli, Y.; Rovai, A. S.; Coelho-Jr, C.; Menghini, R. P.; Almeida, R. Alguns impactos do PL 30/2011 sobre os Manguezais brasileiros. In: Código Florestal e a Ciência: O que nossos legisladores ainda precisam saber. Sumários executivos de estudos científicos sobre impactos do projeto de código florestal. Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. Brasília, DF. 2012. p. 18-27
3) Coelho-Jr, C.; Schaeffer-Novelli, C.; Tognella, M. Manguezais. 1. ed. São Paulo: Editora Ática, 2001. v. 1. 48p .

Originalmente publicado em: Revista a Bordo



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vídeos sobre manguezais

Queridos,

Peguei meu recesso de sala de aula, mas não estou de férias, para fazer alguns vídeos bem curtos que podem ser utilizados em sala de aula. Sabe aquele provisório/definitivo? Pois é... Ainda estou aprendendo a mexer com a ferramenta de edição, mas minhas pretensões são as melhores, não guardar as imagens que arquivo em meu computador, mas sim, sociabilizá-las.
Seguem os links dos principais videos que fiz, postados no youtube, no meu canal. As descrições precisam ser lapidadas. 
Qualquer dúvida mande uma mensagem. 

Seguem os links:
Transição na maré baixa e alta: https://www.youtube.com/watch?v=4Ykx2ejYbE8

Estes não foram feitos com pretensão de ir para sala de aula, mas podem ser utilizados:
Chegada de Branca no recinto: https://www.youtube.com/watch?v=V7j9WkYUWkA

Bom proveito.

Prof Clemente Coelho Junior